Desistência de Henrique Meirelles libera base para novas alianças
Redação DM
Publicado em 29 de março de 2022 às 17:43 | Atualizado há 4 anos
Até ontem pré-candidato ao Senado por Goiás, Henrique Meirelles (PSD) optou em permanecer na política paulista e gestão do Estado de São Paulo. Secretário da Fazenda na gestão do governador João Doria, ele permanecerá distante dos goianos por outra temporada, segundo informou. A comunicação de sua decisão ocorreria pessoalmente no início da tarde de terça-feira, 29, em uma coletiva no Castros Hotel, mas pouco antes circulou a informação de que ele divulgaria nota para comunicar o desinteresse em disputar a única vaga de senador.
Resta ainda ao político goiano natural de Anápolis ser candidato a vice-governador em São Paulo, finalizar o exercício como secretário da Fazenda ou torcer por uma vitória de Lula, na expectativa de ser chamado para integrar o novo governo.
Nos bastidores, existem três hipóteses para sua decisão de não voltar para Goiás: 1) não teria o apoio que desejava dentro do PSD, que estava prestes a ‘desistir’ de Meirelles; 2) Não teria vontade de fazer uma campanha desgastante e competitiva ao Senado, que exige inúmeros encontros e eventos; 3) Temor dos rigores da legislação eleitoral.
Meirelles evitou tratar abertamente do assunto, se reservando a agradecer o apoio que teve das pessoas que incentivaram sua disputa nas eleições – um deles foi o governador Ronaldo Caiado (UB), que sempre inspirou o ex-ministro e ex-presidente do Banco Central a representar Goiás no Senado. Agora, a base está livre de inseguranças e poderá escolher melhor o nome para o Senado. E com maior flexibilidade para trabalhar alianças.
As especulações em torno da candidatura de Meirelles iniciaram em 2021, quando o PSD goiano, primeiro através de Vanderlan Cardoso e depois Vilmar Rocha, convidaram Meirelles a disputar a vaga.
O pré-candidato adiou por três vezes sua vinda, de fato, para Goiás tendo em vista iniciar a campanha. Não bastasse, o político começou a ser cobrado publicamente. Em fevereiro, o senador Luis do Carmo (MDB) questionou em artigo publicado no DM quais as reais intenções de Meirelles. A resposta, dias depois, também no DM, surgiu por meio de artigo assinado pela vereadora Sabrina Garcês (PSD), com o provocativo título “Vem, Henrique Meirelles!”.
Era grande a expectativa de inúmeros pré-candidatos à Assembleia Legislativa do Estado de Goiás (Alego) e Câmara Federal, uma vez que é famoso o patrimônio financeiro de Meirelles. Na cabeça dos políticos, semelhante ao que ocorreria com Júnior Friboi, em 2014, Meirelles “despejaria” recursos nos candidatos e partidos. Uma corrente de pré- candidatos já contava exclusivamente com a ajuda financeira de Meirelles, que, por sua vez, teria sido bem orientado por advogados eleitorais a respeito das regras restritivas que motivam perdas de mandato.
O exemplo da ex-senadora Selma Arruda (MT), ex-juíza que teve o mandato cassado por Caixa 2 e abuso do poder econômico, em 2020, ecoou como alerta para campanhas supostamente sustentadas em grande medida na riqueza dos candidatos.
Sem Meirelles, o PSD teria a alternativa do deputado estadual Lissauer Vieira, nome também bem visto pelo governador. Ele se prepara para a corrida, que já começou.
Mas o cenário para o Senado, ao contrário do favoritismo visto na luta para governo, está aberto: o deputado federal Delegado Waldir (UB) aparece bem nas pesquisas; o ex -governador por quatro mandatos, Marconi Perillo, é o nome do PSDB e o ex-senador Wilder Morais foi confirmado como pré-candidato pelo presidente Jair Bolsonaro. Mais distantes na construção da candidatura, mas não menos competitivos, aparecem Alexandre Baldy (PP), Luis do Carmo (PSC) e João Campos (Republicanos).
A expectativa é de somente em julho, daqui 90 dias, o quadro esteja mais claro para a disputa.
De todos pré-candidatos, apenas Delegado Waldir já executa atos de pré-campanha sistemática. Participa praticamentede de todos eventos do governador Ronaldo Caiado e segue com grande movimentação nas redes sociais. Pesa contra ele o fato de ser do mesmo partido do governador.