Dilma se reúne com empresários e ganha apoio
Redação DM
Publicado em 15 de dezembro de 2015 às 06:40 | Atualizado há 11 anosBRASÍLIA – A presidente Dilma Rousseff se reuniu nesta terça-feira com presidentes de centrais sindicais e representantes do setor produtivo no Fórum da Previdência, numa tentativa de reaproximação no momento de fragilidade política e ganhou o apoio dos empresários contra o impeachment. Depois do encontro, o presidente da Associação Brasileira dos Fabricantes de Veículos (Anfavea), Luiz Moan, disse que a entidade não vai seguir o caminho da . César Prata, da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), foi na mesma linha, alegando que a instituição não é um partido político.
Durante o encontro, Dilma recebeu dos membros do Fórum um documento com medidas alternativas para estimular o crescimento. Entre elas, facilitar os acordos de leniência com empresas envolvidas no escândalo da operação Lava Jato.
– Quero declarar aqui que eu entendo, eu compreendo a definição ou encaminhamento político que foi dado pela Fiesp. Mas, a Anfavea pensa o Brasil – disse Moan, acrescentando que a crise política deve ser resolvida no seu campo, sem prejudicar a tomada de ações na economia.
– A Abimaq não é uma instituição política. A Abimaq não tem essa postura, não é nosso perfil – emendou Prata.
A presidente não participa das reuniões do Fórum, criado por ela para evitar decisões polêmicas, como a reforma da Previdência. O encontro desta terça foi marcado com antecedência para que Dilma pudesse estar presente, sob o pretexto de que o momento exige medidas para estimular o crescimento da economia, apesar da crise política. Ministros que também não são membros do Fórum, como o da Casa Civil, Jaques Wagner e do Desenvolvimento, Armando Monteiro, foram convocados para o encontro.
– Essa reunião fortalece o ambiente de diálogo positivo para o governo, para a presidenta Dilma, a partir de uma agenda de crescimento econômico – disse o ministro do Trabalho e Previdência, Miguel Rossetto, membro do Fórum.
Ele evitou responder perguntas sobre o desdobramento da operação Lava Jato, dizendo apenas que o governo está acompanhando o trabalho das instituições “responsáveis por combater a corrupção”. Ao ser indagado se os ministros envolvidos devem se afastar do cargo, disse que este é um tema exclusivo da presidente.
Os presidentes das duas maiores centrais, CUT e Força Sindical, fizeram o mesmo discurso, de que a saída da crise passa pela retomada do crescimento da economia, da geração de emprego e renda e maior acesso ao crédito.
– Esse Brasil precisa de uma nova agenda econômica e uma nova agenda política – disse Vagner Freitas, presidente da CUT.
– É um ponto positivo ter uma unidade de ação, dos trabalhadores, dos empresários e do governo – reforçou o presidente da Força Sindical, Miguel Torres, que no entanto fez questão de ressaltar que a entidade não defende o mandato da presidente.
Segundo relato de presentes, no dia de ampla repercussão política devido à nova fase da Lava Jato, Dilma estava bem humorada. Ela sorriu várias vezes, disse a fonte, e fez questão de coordenar as fala:
– Disse primeiro falam dois empresários, depois dois trabalhadores, dois ministros e depois eu – contou um interlocutor.