Divas nas feiras da Capital
Redação DM
Publicado em 28 de junho de 2016 às 03:11 | Atualizado há 1 ano
O grupo de dança ‘¿por quá?’ estreia o projeto Atenção! Aparecidas – Circulando livremente pela cidade. A primeira apresentação do grupo acontece amanhã (29) às 10h, na Feira da Vila Nova. O projeto, contemplado pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura, segue até o dia 13 de julho.
O projeto de dança tem um palco diferente dos erguidos atrás das grandes paredes dos teatros. O grande barato desse projeto são os locais de apresentações culturais, as tradicionais feiras de Goiânia, entre elas, feira da Vila Nova, da Praça do Trabalhador, do Setor Fama, da Vila São Paulo, do Bairro Feliz, da Praça Universitária e do Cepal do Setor Sul. A grata surpresa para a população goiana será, com certeza, as divas dos anos 50. Pois é, além das verduras, grãos, roupas, gente apressada e reunida, a dança vai aparecer ao lado das bancas de legumes ou em meio ao sabor do pastel e da garapa.
O espetáculo de dança Aparecidas é uma ação executada no espaço urbano movimentado. Contemplação e implicação do inusitado surgindo no ambiente não necessariamente concebido para ele. A ideia é fazer uma releitura da fotografia da promoção, com referência à estética glamorosa do cinema e da pop art, através de uma reinvenção criativa da vida. Então, os visitantes terão um primeiro estranhamento surgido do cruzamento desse outro jeito de atuar, em meio ao urbano, com as feiras, com o cotidiano e com o lixo. A proposta é promover e envolver as pessoas nos lugares que são delas.
Durante o processo de pesquisa, a artista Lu Celestino visitou a feira da Vila São Paulo. Andou pelo espaço. Conversou com as pessoas. Fez compras. Só que ao voltar para casa não conseguiu conter as lágrimas. “Fiquei muito emocionada de saber que ia dançar para aquelas pessoas, pois é tanto o lugar delas, é tanto o cotidiano e saber que um dia irei fazer o extra cotidiano e interagir no cotidiano ali delas, dos feirantes, de pessoas que estão ali há muitos anos. Não sei explicar, exatamente, o que me emociona tanto. Acho que é pela possibilidade de troca com o público, que talvez não fosse me ver em um teatro”.
O ¿por quá?
É um grupo independente com um imaginário de pesquisa lúdica e mundana. Surgiu em 2000 e optou por seguir um caminho próprio gerando uma dança simples e, ao mesmo tempo, instigante. Prima pela dança-acontecimento, pela dança curiosa e insurgente. Identifica-se com uma estética contemporânea popular, se é que isso existe.
Formado por artistas de dança vinculados diretamente ao contexto educacional e de produção em artes, apontando para uma direção militante, investigativa, profissional e autônoma. Seu foco é na democratização e convocação à experimentação artística para o alcance e conquista de certa autonomia celebrativa da dança.
O ¿por quá? sempre apostou na arte em que a composição seja feita a partir da interação. “Mesmo quando íamos para o palco também fazíamos muito esse processo de interagir com o público. A gente prima por interagir com gente que também esteja a fim de trocar”, explica a artista e pesquisadora Luciana Ribeiro.
O grupo atua com mais vigor na cena sociopolítico-cultural ampliada do que na cena dita artística assim instituída. Pesquisa atualmente ações artísticas abertas e intervenções urbanas com forte teor na cultura pop.

AGENDA DE APRESENTAÇÕES:
Dia 29/06/16 – 10h – Feira da Vila Nova
Dia 02/07/16 – 18h – Feira Praça Trabalhador
Dia 04/07/16 – 10h – Feira Setor Fama
Dia 06/07/16 – 10h – Feira Vila São Paulo
Dia 08/07/16 – 10h – Feira Bairro Feliz
Dia 10/07/16 – 18h – Feira Praça Universitária
Dia 13/07/16 – 10h – Feira Cepal do St Sul