Eike ‘fenômeno’ nega que tenha causado prejuízo ao BNDES
Redação DM
Publicado em 17 de novembro de 2015 às 10:15 | Atualizado há 11 anosBRASÍLIA – O empresário Eike Batista atribuiu a derrocada de seu grupo à frustração na exploração de petróleo pela empresa OGX. Em depoimento à CPI do BNDES, ele negou que o banco de fomento tenha tido prejuízo nos empréstimos de cerca de R$ 10 bilhões – dos quais R$ 6 bilhóes foram liberados para suas empresas, mas admitiu que o BNDESPar, o braço de participação acionária da instituição, que investe em algumas empresas, perdeu dinheiro ao aplicar entre R$ 200 milhões e R$ 300 milhões na MPX. Durante seu depoimento, ele arrancou gargalhadas no plenário ao confirmar que era ciente de ser um fenômeno” quando interpelado por um parlamentar.
Eike fez questão de dizer que ele foi um dos empresários que mais trouxeram investimentos para o país – cerca de US$ 40 bilhões, segundo ele. Ele passou boa parte de seu depoimento criticando a mídia porque, na visão dele, não mostra os benefícios de seus empreendimentos. Logo no início de suas declarações, ele exibiu um vídeo sobre o Porto de Açu, no valor de R$ 70 bilhões, como prova de que os recursos de empréstimos foram aplicados.
Ao ser perguntado por que seu grupo quebrou, Eike não admitiu que uma gestão desastrosa possa ter contribuído para o colapso de suas empresas. Ele destacou que contratou os melhores executivos do mercado, que trabalhavam na Petrobras, e observou que não conseguiu encontrar a quantidade de petróleo que esperava, apesar da expertise de seus administradores.
— Contratamos os melhores profissionais do Brasil, executivos da Petrobras e a produtividade não foi a que esperávamos. Essa é uma realidade do setor. No mundo inteiro é assim. É um setor de altíssimo risco. Meu grande erro foi ter acreditado grande (sic). Estatísticas mostravam que os campos brasileiros tinham dobro de produtividade, e não tiveram — declarou.
O empresário disse que ele foi o maior prejudicado com a derrocada de seu grupo porque aportou recursos próprios em seus investimentos. Ele também afirmou que o BNDESPar não precisava investir na MPX e que ele poderia ter captado empréstimos no exterior, mas a decisão de aplicar na empresa se deu por opção do próprio BNDESPar.
— Eu fui o maior prejudicado. Tinha 65% da empresa. Sinto muito pelos investidores que estavam comigo. Alguns investidores saíram na alta. Eu apostei, infelizmente, grande parte do meu patrimônio.
Em alguns momentos, Eike chegou a ser irônico. Logo no início de suas declarações, pediu para que os parlamentares o corrigissem se ele se demonstrasse “arrogante”. Depois, ao responder ao deputado Arnaldo Jordy (PPS-PA) sobre eventuais prejuízos ao BNDES, disse que ele podia ser bobo por ter apostado em investimento em petróleo e infraestrutura no país, ao que Jordy retrucou:
— De bobo, vossa senhoria não tem nada.
E depois, o parlamentar, que não concordou com as respostas do empresário, concluiu:
— Vossa senhoria é um fenômeno.
— Eu sei — disse Eike, provocando gargalhadas no plenário.