Eleições regionais trazem teste de fogo para a política francesa
Redação DM
Publicado em 5 de dezembro de 2015 às 05:06 | Atualizado há 11 anosPARIS – Ainda se recuperando dos atentados que deixaram 130 mortos no mês passado, os franceses vão às urnas neste domingo para o primeiro turno das eleições que escolherão representantes em 18 regiões. Serão eleitos 1.671 representantes regionais da França continental e dos departamentos ultramarinos de Guadalupe e Reunião, além de 51 representantes da Córsega e 102 da Guiana Francesa e da Martinica. A maioria das pesquisas indica que a Frente Nacional (FN) — legenda de extrema-direita que conquistou 11 prefeituras nas eleições municipais e liderou as votações para o Parlamento Europeu — pode vencer em duas regiões, com a líder do partido, Marine Le Pen, conquistando o controle na região de Nord-Pas-de-Calais-Picardie, no Norte; e sua sobrinha, Marion-Maréchal Le-Pen, em Provence-Alpes-Côte-d’Azur, no Sul.
Durante décadas, a região industrial de Nord-Pas-de-Calais foi um bastião da esquerda francesa, e principal reduto eleitoral de comunistas e socialistas. No entanto, com o desemprego local ultrapassando os 35%, boa parte do eleitorado enxerga na FN a chance de dias melhores.
— Essa região está na linha de frente da nação — afirmou Marine em um discurso em Lille nesta semana. — A reconquista começa aqui.
Uma vitória da FN pode ser um passo importante para a campanha de Marine nas eleições presidenciais de 2017.
“Primárias” para Sarkozy
Desde que assumiu o controle da FN, Marine procurou se distanciar das declarações do pai, o polêmico ex-lider do partido, Jean-Marie Le Pen, condenado por incitação ao ódio racial em seis ocasiões, e procurou se concentrar em questões internas, amenizando o discurso anti-imigração que, por décadas, foi o carro-chefe da legenda.
Outro nome que deve acompanhar as eleições regionais com atenção especial é o ex-presidente Nicolas Sarkozy, que, após retomar o controle da União por um Movimento Popular, rebatizou o partido como Republicanos, e trabalha para voltar à Presidência em 2017.
— Para os Republicanos, as eleições regionais são as primárias antes das primárias — afirma Thibaut Pézerat, jornalista da revista política “Marianne”. — Se os Republicanos não conseguirem vitórias expressivas, o partido pode buscar novos nomes para as eleições regionais, como o moderado Alain Juppé, que tem uma aceitação muito maior entre o eleitorado jovem.
Enquanto muitos analistas previram que os atentados de novembro poderiam fortalecer a FN, o Partido Socialista, que vivia uma difícil relação com a população, ganhou força devido à resposta aos ataques. A popularidade do presidente François Hollande, que atingira um mínimo de 13% em setembro do ano passado, ultrapassou os 40% nas ultimas semanas. Analistas não sabem precisar se essa nova onda de popularidade pode, tão rapidamente, se transferir para as urnas, mas afirmam que os socialistas dificilmente seriam capazes de repetir o desempenho das eleições de 2010, quando saíram vitoriosos em todas as regiões, exceto na Alsácia.