Empresas de atriz que mediou encontro entre El Chapo e Sean Penn podem sofrer sanções
Redação DM
Publicado em 11 de janeiro de 2016 às 09:25 | Atualizado há 11 anosCIDADE DO MÉXICO — As empresas da atriz mexicana Kate del Castillo, que organizou a entrevista dada pelo narcotraficante Joaquín El Chapo Guzmán a Sean Penn, podem ser alvo de sanções penais pelo governo americano. A estrela protagonista da série “A rainha do tráfico” é presidente de duas companhias, uma delas detentora dos direitos da gravação feita com o líder do cartel de Sineloa. Mas, como ela também tem nacionalidade americana, é proibida de fazer transações com o criminoso.
“Quero deixar claro que o conteúdo desta entrevista é exclusivo para Kate del Castillo e Sean Penn”, diz El Chapo no início da gravação
O material seria usado pelas empresas dela na produção de um filme e um livro sobre a história de El Chapo. Segundo informações dos serviços de Inteligência do México, a atriz se reuniu quatro vezes com os advogados do narcotraficante desde junho de 2015, mas os contatos entre os dois começaram quase um ano antes, em outubro do ano anterior. A intenção dele era que a estrela participasse da produção cinematográfica. Mas ela também foi nomeada por ele como a “chefa” e coordenadora do projeto.
Para o Departamento de Justiça americano, há evidências suficientes de que houve aceitação explícita de financiamento ao filme por parte do líder do cartel de Sineloa, o que configura conspiração dela para cometer um ato criminoso. Dessa forma, Kate violou as normas da Agência de Controle de Ativos estrangeiros, do Departamento do Tesouro, que impede os cidadãos de realizarem transações financeiras ou comerciais com El Chapo.
As empresas da atriz podem sofrer sanções de diferentes tipos, entre elas penais, que serão estabelecidas de acordo com a gravidade da violação. Nem Penn, nem Kate comentaram os acontecimentos desde que sua entrevista com Guzmán foi publicada na revista Rolling Stone, no sábado.
PROCESSO DE EXTRADIÇÃO
Dois dias depois da recaptura do narcotraficante, o governo mexicano iniciou oficialmente os procedimentos para extraditá-lo aos EUA no domingo. Até agora, a Interpol já emitiu dois mandatos de extradição, informou o Ministério Público, dando início a mais uma tentativa para fazer com que Guzmán seja julgado por uma corte americana pelas centenas de toneladas de cocaína, metanfetamina e heroína que exportou para o país.
O México costuma extradita líderes do tráfico, mas o governo do presidente Enrique Peña Nieto resistiu a entregar Guzmán após sua prisão em fevereiro de 2014, como uma questão de orgulho nacional. A postura mudou depois que El Chapo fugiu, pela segunda vez, de uma prisão de segurança máxima, escapando através de um túnel de mais de um quilômetro a partir de sua cela.
Guzmán foi levado de volta para o mesmo presídio no fim de semana, mas dessa vez o governo mexicano disse que pretende entregá-lo à Justiça americano o mais rápido possível. Os EUA querem que Guzmán seja julgado por acusações de que vão de lavagem de dinheiro a tráfico de drogas, sequestro e assassinato. Ele também é acusado por milhares de mortes no México e nos EUA causadas pelo vício e a guerra entre gangues.
Os advogados do traficante tentam bloquear o processo, enquanto moradores ecoam o desejo para que ele fique no país. No domingo, ao menos 30 patrulhas impediram uma manifestação contra a extradição. A medida seguiu as orientações dadas um dia antes pelo governador Mario López Valez, advertindo que não toleraria qualquer violação ao livre trânsito.