Cotidiano

Enfrentamento aos impactos das chuvas requer ação do poder público e da sociedade

Redação Online

Publicado em 23 de janeiro de 2026 às 10:52 | Atualizado há 5 meses

O aumento da frequência de eventos climáticos extremos, como chuvas intensas, ondas de calor, queimadas e períodos prolongados de seca, tem afetado cidades em todo o mundo e reforçado a urgência de medidas de adaptação.

Em Goiânia, os alagamentos observados em períodos chuvosos evidenciam a necessidade de estratégias integradas que envolvam tanto o poder público quanto a população.Em meio a esse cenário, a responsabilização exclusiva dos governantes se mostra insuficiente para explicar um problema de natureza complexa.

A situação atual resulta da combinação entre décadas de investimentos limitados em infraestrutura de drenagem e a aceleração das mudanças climáticas. A mitigação dos impactos exige políticas públicas contínuas, aliadas à participação ativa da sociedade no cumprimento das normas urbanísticas.

Segundo o gerente de Combate às Mudanças Climáticas da Agência Municipal de Meio Ambiente (Amma), Gabriel Tenaglia, as diretrizes urbanísticas vigentes, alinhadas ao Plano Diretor, reconhecem a permeabilidade dos lotes privados como elemento estratégico para reduzir inundações, melhorar o microclima e promover a qualificação ambiental da cidade.

Ele destaca que a integração dessas áreas ao paisagismo funcional é essencial para o enfrentamento estrutural do problema.

Tenaglia ressalta que os alagamentos são resultado de múltiplos fatores, incluindo condições climáticas e ambientais, o padrão de ocupação do solo, o comportamento da população e limitações históricas da infraestrutura urbana.

Por essa razão, a legislação municipal estabelece que a mitigação desses eventos depende da atuação coordenada entre governo, setor técnico e cidadãos.

O Plano Diretor e as leis complementares nº 364/2023 e nº 368/2023 orientam o fortalecimento da microdrenagem urbana, priorizando a infiltração da água da chuva ainda dentro dos próprios lotes e no espaço urbano.

Entre as medidas previstas estão o incentivo às Soluções Baseadas na Natureza (NBS), como jardins de chuva, biovaletas, pavimentos permeáveis e arborização, além da exigência de áreas verdes e índices paisagísticos como instrumentos legais de redução de riscos.

Atuação contínua e corresponsabilidade

Somente no início deste ano, a Prefeitura de Goiânia retirou mais de 120 toneladas de resíduos das galerias pluviais e bocas de lobo da capital, evidenciando a persistência do descarte inadequado de lixo nas vias públicas.

Ao longo de 2025, as ações de manutenção já contemplaram a limpeza de cerca de 30 mil bocas de lobo, a desobstrução de mais de 100 mil metros de tubulações e a remoção de 4,4 mil toneladas de entulho dos sistemas de drenagem. Nesse contexto, a população desempenha papel fundamental ao evitar o descarte irregular de resíduos, manter limpas as áreas no entorno das edificações e garantir a destinação correta do lixo doméstico.

Paralelamente, o município avança em ações estruturantes, como o Fórum Goianiense de Mudanças Climáticas (GynClima), que reúne especialistas e câmaras técnicas para a formulação de políticas públicas voltadas à mitigação e adaptação climática.

Conforme indicam a legislação municipal e os dados oficiais, a redução efetiva dos alagamentos não depende apenas de obras e investimentos, mas também do cumprimento das normas urbanísticas, do engajamento social e de mudanças permanentes de comportamento diante dos desafios impostos pelas mudanças climáticas.

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