Equipes de limpeza e de ortopedia cruzam os braços no Hospital Getulio Vargas
Redação DM
Publicado em 15 de dezembro de 2015 às 00:20 | Atualizado há 11 anosRIO – Os atendimentos eletivos (não emergenciais) do setor de ortopedia do Hospital estadual Getulio Vargas, na Penha, estão sendo remarcados, nesta terça-feira, por falta de médicos, que estão sem receber os salários. Parte dos terceirizados da limpeza também não estão trabalhando em protesto contra os atrasos nos pagamentos. Para manter a higiene no hospital, garis da Comlurb tiveram que assumir a limpeza em alguns setores.
– Minha avó quebrou a perna há quatro meses e hoje (terça-feira) veio fazer a revisão, mas não tinha médico para atender. Queriam reagendá-la. E se já for a hora de tirar os curativos? E se tiver infeccionado? Ela estava sentindo muita dor, viram que a pressão dela estava alta e a levaram para a emergência. Mas já estou esperando aqui há três horas. Está horrível! Não tem médico. Estão em greve. Todo mundo reclamando que não tem pagamento – contou Luana de Lima, de 28 anos, enquanto esperava sua avó ser atendida.
A pediatria, que foi fechada nesta segunda-feira de acordo com o Sindsprev, funcionou normalmente nesta terça-feira. Já a tomografia só está sendo usada em casos mais graves, segundo os funcionários.
– Uma enfermeira cortou a perna e não tinha água oxigenada para fazer os curativos. Faltam medicamentos também – contou uma auxiliar de enfermagem, que preferiu não se identificar.
Os funcionários de limpeza contratados pela Organização Social chamada Pro Saúde disseram que cerca de 20 auxiliares gerais cruzaram os braços devido aos atrasos nos pagamentos. Para não receberem falta, assinam o ponto, mas não fazem a limpeza.
– Muita gente paga aluguel. O dono da minha casa já está me mandando ir embora porque não consegui pagá-lo neste mês. Temos contas para pagar. Lá em casa não há nada para comer – disse uma auxiliar geral, que preferiu não se identificar.
Na próxima quinta-feira, os funcionários planejam uma manifestação em frente ao hospital. Procurada, a secretaria estadual de Saúde ainda não se pronunciou sobre os problemas apontados.