Equipes internacionais inspecionam segurança no aeroporto do Cairo
Redação DM
Publicado em 10 de novembro de 2015 às 03:40 | Atualizado há 11 anosCAIRO — Autoridades egípcias afirmaram nesta terça-feira que equipes internacionais com agentes europeus, russos e do Oriente Médio estão inspecionando as medidas de segurança ligadas a aeronaves que transportam cargas e passageiros no aeroporto internacional do Cairo, principal terminal do país. A revisão dos procedimentos é realizada em meio às suspeitas de que a queda do avião russo em 31 de outubro foi causada pela explosão de uma bomba. A mídia egípcia tem reagido furiosamente à tal teoria, afirmando que o país é alvo de uma conspiração do Ocidente a fim de afastar turistas e destruir a economia.
O general Ahmed Genina, chefe do aeroporto do Cairo, afirmou que autoridades da Rússia, Holanda, Itália, Emirados Árabes e Qatar estão analisando os meios de revista digital de passageiros, bagagens e cargas na entrada do aeroporto em direção aos aviões. Guardas de segurança e fornecedores também estão sendo inspecionados.
O chefe da equipe do presidente russo Vladimir Putin afirmou que a suspensão dos voos do país ao Egito após a queda do Airbus 321 vai durar vários meses. Sergei Ivanov afirmou em visita à Finlândia na terça-feira que seria impossível revisar radicalmente o sistema de segurança nacional em um curto período de tempo, segundo informações da mídia russa. Ivanov afirmou que é necessário não só avaliar o aeroporto de Sharm el-Sheikh, balneário na região do Sinai de onde partiu o avião russo, mas também outros terminais do Egito.
Vários países e companhias aéreas suspenderam novos voos para o Egito após o acidente com o Airbus 321, que matou as 224 pessoas a bordo. Autoridades do Reino Unido e dos Estados Unidos indicaram durante o avanço das investigações que o avião pode ter caído após uma explosão dentro da aeronave.
‘TERRORISMO OCIDENTAL’
Os principais meios de comunicação do Egito sustentam que o países ocidentais suspenderam os voos ao Egito não por medida de segurança, mas sim para afetar o país e evitar o presidente Abdel-Fatah el-Sissi faça do Egito um país forte. A mídia governamental comumente retrata el-Sissi como salvador do Egito desde que ele liderou o Exército na deposição do líder islâmico Mohammed Mursi após protestos contra a Irmandade Muçulmanda, entidade que tinha apoio do ex-presidente.
O jornal estatal “Al-Gomhuria” publicou em uma capa nesta semana que “O povo desafia a conspiração — Egito não vai ceder à pressão”. Já o jornal “El-Watan” escreveu em uma manchete que o “Egito enfrenta ‘terrorismo ocidental’”. Hazem Moneim, comentarista do “El-Watan” escreveu que o Ocidente está com medo do Egito:
“Por que o Reino Unido enviou comunicado coincidindo com a visita de el-Sissi, como se soubesse a verdade pela fonte?”, publicou no sábado. Ele comparou a atitude do governo britânico de suspender os voos ao Egito com um drama de televisão em que “o lado do mal contribui para o crime, e depois acusa o outro lado”.
O maior jornal estatal, “Al-Ahram”, publicou que as declarações britânicas e americanas sobre o acidente faziam parte da pressão para “fortalecer a Irmandade e humilhar o Egito, como também tornar a opinião pública sobre a Rússia contra a guerra ao terror na Síria”, com referência a ação militar russa no país.
Segundo Hebatalla Taha, analista do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos consultada pela AP, a mídia quer negar uma crise no país:
— Negar em nome do Estado que há uma crise e depois tentar apontar terceiros é muito normal (no Egito) — afirmou a especialista.
Taha afirma que essa retórica é o “padrão recorrente” do governo egípcio. Os cidadãos privados, ela diz, não concluiriam teorias de conspiração por eles mesmos, “mas provavelmente adotariam o que a mídia estatal está dizendo”.