“Estamos em uma guerra, não podemos fraquejar”
Redação DM
Publicado em 3 de março de 2016 às 01:00 | Atualizado há 10 anos
Com larga experiência na atividade policial, o coronel Divino Alves de Oliveira assume o comando-geral da Polícia Militar de Goiás integralmente comprometido com a missão do vice-governador e secretário de Segurança Pública, José Eliton, de adotar medidas “fortes e duras” para reduzir os índices de violência em Goiás. “José Eliton tem o nosso respaldo, pois assume a Segurança Pública motivando a tropa, pois o objetivo é levar tranquilidade à sociedade.”
O coronel Divino Alves diz que, neste momento, o trabalho é o de garantir segurança à sociedade. “Estamos numa guerra, não podemos fraquejar. E os primeiros resultados positivos já começam a aparecer.”
O comandante-geral reconhece que o efetivo de 12 mil homens não é suficiente para todo o trabalho da Polícia Militar, mas ressalta que o Estado busca contratar, em até dez anos, 30 mil novos policiais. Ele diz que os salários dos policiais militares goianos é um dos mais altos do país.
Divino Alves de Oliveira, natural de Goiânia, há quatro anos foi promovido à patente de coronel. Já exerceu os comandos da 7ª CIPM (Mineiros), 12º Batalhão (Iporá), 7º Comando Regional (Iporá), Regimento de Cavalaria, Tecnologia e Informação, Assessoria de Comunição do Comando-Geral, regionais de Águas Lindas, Anápolis e Catalão, Comando do Policiamento da Capital e agora o Comando-Geral da Polícia Militar.
Entrevista na íntegra:
DM – Coronel, defina segurança pública:
Coronel – É uma pergunta complicada. Segurança pública é uma necessidade de todos nós. A segurança pública precisa ter mais verbas, menos verbo. É aquilo que todos nós almejamos. É o direito de ir e vir do cidadão. De se viver. Cabe ao estado parcela dessa responsabilidade. Agora, trabalha-se em segurança a sensação dela.
DM – Mas quando a sensação se dissipa, se instala o medo na sociedade…
Coronel – Temos a sociedade com medo de falta de saúde, falta de educação, da falta de religiosidade, da falta de valores e também em relação à insegurança.
DM – À medida que o cidadão percebe que há um forte esquema de segurança, isso reforça a sensação de que ele está sendo protegido. A iniciativa do vice-governador e secretário de Segurança Pública de colocar a polícia nas ruas colabora com a inibição dessa sensação de insegurança?
Coronel – Claro. Há, portanto, a necessidade de se oferecer ao cidadão o sentimento de que ele está seguro e protegido para viver bem. Quando o secretário de Segurança Pública move montanhas para resgatar à população esse desejo de se sentir segura, isso se materializa com a colocação de mais policiais nas ruas, de mais viaturas, de se passar nas ruas e ver o giroflex girando, isso, com certeza, dá sensação de segurança e vai diminuir, no inconsciente, a questão do medo.
DM – Como o senhor recebeu a decisão do vice-governador José Eliton de deixar uma eventual posição cômoda no governo para submeter-se a essa missão complexa de atuar na área da segurança pública?
Coronel – É preciso reconhecer a determinação e a coragem do vice-governador José Eliton de aceitar esse desafio e podemos dizer que Goiás tem condições de vencê-lo, com resultados expressivos no combate à criminalidade. Já estamos dando passos concretos em direção aos resultados que almejamos, de proporcionar em Goiás um ambiente de segurança, tudo isso em razão da visibilidade operacional, da sensação de efetivo combate à violência, pela motivação que está sendo gerada na tropa, pela participação efetiva das instituições públicas e privadas nesta ação policial. O secretário José Eliton atua com firmeza, busca o apoio das entidades públicas, Judiciário, Ministério Público, Assembleia Legislativa, empresariado, dizendo que todos devem se envolver nesta mobilização em prol de um trabalho efetivo de combate à criminalidade. Estamos numa guerra. Não podemos fraquejar. Não se vence essa guerra apenas com armas. Se vence, também, com apoio da sociedade, dos poderes constituídos. Segurança pública não é apenas uma questão de polícia. Posso colocar um milhão de policiais nas ruas, mas se não tiver uma legislação forte para manter o meliante preso, as soluções não virão. Posso ter policiais em todas as ruas, mas se não tiver investimentos em infraestrutura, como em iluminação pública, educação, esporte e lazer, as soluções não serão alcançadas. Polícia tem responsabilidade nesse conjunto, tem, mas isso precisa ser compartilhado.
DM – Atitude do secretário José Eliton debaixo de chuvas, de visitar unidades policiais e sair às ruas reforça essa posição de “dedicação total” ao combate à criminalidade?
Coronel – O vice-governador José Eliton sentiu aquilo que acontece com os nossos policiais todos os dias nas ruas, quer seja sol quer seja chuva, dedicação total à missão de atuar em favor da segurança pública. A demonstração de José Eliton ali, na chuva, mexe com conosco policiais. São gestos como esse que nos motiva. José Eliton é o vice-governador do Estado. Eu vi pessoas se aproximando dele, oferecendo guarda-chuva e ele não permitiu. Você acha que ele precisava de se submeter a isso?
DM – Como vê a declaração de José Eliton, de que o bandido precisa ter medo da polícia e não o contrário?
Coronel – O bandido tem que temer o policial, que representa o Estado no combate à criminalidade. Polícia age com repressão ao crime e aquele que comete o delito precisa respeitar, temer essa instituição. Não existe essa história de bandido intimidar a polícia, ele tem que temer a polícia.
DM – Fontes da PM informam que, em três anos, 70% do efetivo policial estará indo para a reserva. Como resolver isso?
Coronel – Temos uma projeção de policiais que estão indo para a reserva, mas não é de hoje, há algum tempo. O vice-governador e secretário José Eliton nos apresentou um planejamento de reestruturação do efetivo da Polícia Militar. Quando entrei na Academia da Polícia Militar, tinha os cursos para os oficiais, primeiro, segundo e terceiro anos, todos com renovação e reposição dos quadros efetivos. Isso não está acontecendo, mas o secretário sinaliza que essa reposição voltará a acontecer. Agora, tudo isso tem que ser feito respeitando a capacidade financeira do governo do Estado. Não adianta contratar policiais e não ter dinheiro para quitar a folha de pagamento.
DM – Não é um equívoco a concentração de efetivo em Goiânia, deixando outras localidades desprotegidas, como Jardim do Ingá, em Luziânia, Águas Lindas, Novo Gama, Valparaíso, por exemplo. O que o senhor diz?
Coronel – Houve um investimento forte no efeito em Goiânia? Houve, mas tudo era feito com estratégia, planejamento, de forma integrada com outras regiões do Estado e que apresentava os resultados esperados. Fui comandante do Policiamento da Capital e atuei integrado com outros comandos regionais. O aporte de policiais na Capital não foi tão grande como se pode dizer. Houve o reforço do Simve, que ajudou bastante no combate à criminalidade na Grande Goiânia e outras regiões do Estado. Houve um esforço coletivo das unidades policiais regionais. Houve um esforço grande para a redução de 12%, 13% dos índices de criminalidade na Capital.
DM – O que é melhor: voltar o Simve ou realizar concursos públicos para aumentar o efetivo da PM?
Coronel – Eu prefiro o efetivo nas ruas. Eu comando, eu preciso de gente. O governador Marconi Perillo já está providenciando a liberação de novas contratações para o aumento do efetivo da PM. Os que foram chamados já estão na Academia de Polícia Militar, logo estarão conosco nas ruas. Estamos colocando policiais nas ruas e que serviam a outros órgãos. Com o aumento do efetivo e do policial nas urnas, as motivações aumentam e os resultados aparecem.
DM – Qual é o déficit atual do efetivo da Polícia Militar de Goiás?
Coronel – A legislação prevê que o Estado atinja o efetivo, em dez anos, de 30 mil homens na Polícia Militar. O efetivo atual é de 12 mil homens, entre praças e oficiais.
Não seria oportuno voltar a prática do policial a pé pelos bairros das cidades?
Coronel – É uma modalidade que apresenta bons resultados, o chamado Cosme e Damião. É preciso retomar esse modelo. Antigamente, tínhamos o policial no quarteirão e depois ele embarcou na viatura e foi se distanciando. Tivemos uma experiência boa com o Simve (Serviço de Interesse Militar Voluntário Estadual), que era o policiamento por quadrante, mas que acabou extinto, por decisão do STF.
DM – O policial militar está suficientemente motivado com a atual política salarial do Estado?
Coronel – O nosso salário hoje é um dos melhores do país.
“A demonstração de José Eliton ali, na chuva, mexe com conosco policiais. São gestos como esse que nos motiva.”
“Eu prefiro o efetivo nas ruas. Eu comando, eu preciso de gente. O governador Marconi Perillo já está providenciando a liberação de novas contratações para o aumento do efetivo da PM”
“A legislação prevê que o Estado atinja o efetivo, em dez anos, de 30 mil homens na Polícia Militar. O efetivo atual é de 12 mil homens, entre praças e oficiais”