Fios de energia soltos em Goiás: uma tragédia anunciada
Léo Carvalho
Publicado em 24 de setembro de 2025 às 14:01 | Atualizado há 10 meses
Falta de manutenção nas redes elétricas em Goiás causam mortes e deixam população no escuro | Foto: Léo Carvalho e Reprodução
A presença de fios de energia soltos nas ruas e praças de Goiânia é um retrato da negligência com a segurança da população. O risco se torna ainda maior em dias de chuva e fortes tempestades, quando a fiação se rompe com mais frequência e o perigo de choques aumenta. O episódio mais recente aconteceu na última terça-feira (23), na Rua 20, no Centro de Capital, que envolveu uma adolescente de 17 anos de idade.
Em menos de um mês, duas vidas foram perdidas em Goiás em decorrência de descargas elétricas provocadas por fios soltos ou rompidos. As mortes da adolescente de Bonfinópolis, Nathaly Rodrigues do Nascimento, de 17 anos, e de João Victor Gontijo Oliveira, de 10 anos, em Anápolis, escancaram de forma dolorosa como um simples contato acidental com a fiação pode transformar uma caminhada de rotina em tragédia irreversível.
Duas tragédias
No primeiro caso, a adolescente saía do trabalho e, ansiosa para chegar à escola e realizar uma prova, se arriscou em meio ao temporal que atingiu Goiânia na terça-feira (23). Durante o trajeto, na Rua 20, no Centro, imagens de câmera de segurança mostram quando ela tentou atravessar a enxurrada na companhia de um homem, quando ambos sofreram uma descarga elétrica de um fio de energia que já estava solto e submerso na água. O homem conseguiu escapar da zona de eletricidade ajoelhado e se arrastando, mas Nathaly não teve a mesma sorte: foi atingida pelo fio e morreu no local.
Leia também
Jovem de 17 anos morre após choque de fio solto em temporal em Goiânia
Vídeo: Veja o momento em que criança de 10 anos morre ao encostar em fio energizado em Anápolis
Chuva intensa derruba muro da Equatorial em Goiânia. Veja o vídeo
No caso de João Victor, de 10 anos, a tragédia ocorreu na tarde de sexta-feira, 19 de setembro, em Anápolis. O menino levou um choque ao encostar em um fio de fibra óptica que estava energizado na Rua Noêmia, no Setor Vila Jussara. O subtenente da Polícia Militar (PM), Marcus Vinícius Regina da Silva, que passava pelo local no momento do incidente, percebeu que a criança ainda apresentava sinais de vida, conseguiu retirar o fio e iniciou manobras de reanimação. No entanto, apesar dos esforços, João Victor não resistiu e morreu a caminho do hospital.
Assim como no caso de Nathaly Rodrigues, a morte de João Victor expõe a gravidade do risco representado por fios soltos e energizados em vias públicas. São tragédias evitáveis que, diante da ausência de manutenção preventiva e da demora na atuação das autoridades, continuam a tirar vidas inocentes e revelam um problema estrutural que precisa ser enfrentado com urgência.
Risco eminente
Fios de energias soltos nas ruas é um perigo oculto para crianças, idosos e trabalhadores que circulam diariamente por calçadas e cruzamentos de qualquer cidade. A questão não se trata apenas de infraestrutura, mas de responsabilidade compartilhada entre concessionárias de energia, dos gestores públicos e até empresas de telecomunicação que utilizam a mesma rede de postes.
Este repórter, ao percorrer a 6ª Avenida com a Rua 217, no Setor Leste Universitário em Goiânia, avistou um fio solto e desencapado caído ao chão em frente ao Núcleo de Capacitação de Profissionais da Educação às Pessoas com Surdez (NAS), o que representa um risco sério à população, especialmente para quem circula pela região ou acessa o estabelecimento.
Mesmo aparentemente inofensivo, o cabo pode estar energizado, oferecendo perigo imediato de choque elétrico a qualquer pessoa que entre em contato, direta ou indiretamente. Em um local de grande movimentação, a situação se torna ainda mais preocupante, já que crianças e adultos vulneráveis circulam pelo entorno.
_________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
A falta de manutenção preventiva, somada à demora nos reparos quando o fio já está caído, evidencia o descaso com a vida da população. Além disso, árvores antigas e sem podas adequadas, que acabam encobrindo a fiação elétrica, também representam risco à sociedade — seja pelo perigo de choques, seja pelos prejuízos materiais causados quando caem sobre veículos e imóveis.
Como uma árvore que caiu sobre uma van, por volta das 18h, durante o temporal que atingiu Goiânia nesta terça-feira, na 5ª Avenida, no Setor Leste Vila Nova, transportando pacientes de hemodiálise. O motorista precisou arrombar a porta, pois um galho acabou prendendo seis pessoas dentro do veículo, entre elas uma criança. Por sorte, ninguém se feriu gravemente, e todos saíram ilesos, apesar do tamanho do estrago e do susto dos passageiros.

Responsabilidade
Contudo, essa questão no geral não se trata apenas de infraestrutura, mas de respeito à dignidade humana. Enquanto autoridades e companhias de energia não assumirem a gravidade do problema, a população seguirá exposta a choques elétricos fatais que poderiam ser facilmente evitados com fiscalização, investimentos e ação rápida. É urgente transformar esse risco em prioridade. Vidas estão em jogo e cada fio solto ignorado pode ser o prenúncio de mais uma tragédia anunciada.
Contudo, essa questão não se limita apenas à infraestrutura, mas trata-se também de respeito à dignidade humana. Enquanto autoridades e companhias de energia não assumirem a gravidade do problema, a população seguirá exposta a choques elétricos fatais que poderiam ser facilmente evitados com fiscalização, investimentos e ação rápida. É urgente transformar esse risco em prioridade. Vidas estão em jogo e cada fio solto ignorado pode ser o prenúncio de mais uma tragédia anunciada.
Um transformador de energia estourou e pegou fogo ao final da Rua C, no Setor Jardim Goiás, em Goiânia, próximo ao Estádio Serra Dourada, representando risco à população. A Equatorial esteve presente no local, mas somente na manhã desta quarta-feira (24) o problema pôde ser resolvido. Durante o período em que o transformador estava fora de operação, moradores ficaram sem energia.
_________________________________________________________________________________________________________________________________________________________