Futuros delegados vão para cadeia e concurso acaba suspenso
Redação DM
Publicado em 14 de março de 2017 às 01:49 | Atualizado há 9 anos
Cinco pessoas foram presas suspeitas de fraude no concurso público para delegado substituto em Goiás, na tarde do último domingo (12). Quatro dos presos eram candidatos que estavam fazendo a segunda fase da prova. Cada vaga custou entre R$120 mil e R$395 mil, informa o Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO). O governo de Goiás anunciou a suspensão do certame até segunda ordem. Ainda não se sabe se os concursados serão chamados imediatamente para retirarem as taxas já pagas.
De acordo com a polícia, os candidatos fazem parte de famílias influentes ligadas ao Poder Judiciário de Goiânia. Um dos detidos é membro da quadrilha que prometia a aprovação no processo seletivo. A organização criminosa também é suspeita de fraudar outros concursos públicos de outros Estados.
Outros participantes do concurso foram os primeiros a procurarem o Ministério Público de Goiás. A denúncia seria sobre o alto número de inscritos que tiraram nota superior a 90 pontos. Por se tratar de uma prova muito complexa, com um nível de dificuldade elevado, a pontuação dos primeiros colocados chamou bastante atenção de quem estudava há anos a matéria.
O Cebraspe (Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção e de Promoção de Eventos), órgão responsável pelo processo, informou que se o crime for comprovado, medidas serão tomadas conforme consta no edital. Representantes do órgão podem ser indiciados.
O edital do concurso para delegado substituto em Goiás foi aberto pela Segplan (Secretaria de Gestão e Planejamento de Goiás) em novembro de 2016. Quatorze mil pessoas se inscreveram para concorrer a 36 vagas com salário de R$ 15.250,02, sendo 40h semanais.
MP
O Ministério Público de Goiás é que iniciou as investigações após receber denúncias de concurseiros. As primeiras reclamações quanto ao conteúdo das provas e aprovados surgiu nas redes sociais. A promotora Leila Maria de Oliveira emitiu nota: “Informo que está em curso na 50ª Promotoria de Justiça o inquérito civil público nº 201700067908, que tem como objeto o concurso público para provimento de vagas no cargo de delegado da Polícia Civil do Estado de Goiás. Pretende-se, com este inquérito, investigar as denúncias de supostas fraudes no referido certame, a fim de tomar as providências necessárias na seara da improbidade administrativa ou criminal, averiguando, ainda, se os fatos investigados comprometem a totalidade do certame ou se está adstrito apenas aos investigados”.
Em novembro do ano passado, o DM realizou reportagem que denunciava o uso do edital para dificultar a concorrência. Os interessados no cargo deveriam apresentar exames médicos que totalizam R$ 4.500. Na lista de sondagens que a Polícia Civil exigiu estava desde a trivial análise do sangue, através do hemograma completo (com contagem de plaquetas), até o ecocardiograma bidimensional com Doppler, utilizado para avaliar o coração do futuro policial.
No edital, estava proibido de participar pessoas que realizaram cirurgia refrativa ou que apresentasse sequelas de queimadura. O certame impedia até mesmo quem apresentasse desvio acentuado de septo nasal ou ceratocone – uma doença de acuidade visual corrigível com lente de contato.
Conforme a polícia, o ex-vereador de Palmeiras de Goiás, Magno Marra Mendes, ainda não confessou crime, mas os demais assumiram a prática. O médico Antônio Carlos da Silva, que permanece preso, foi assessor do deputado federal Jovair Arantes. Não é a primeira suspeita de crime que recai no médico. Ele foi condenado por aborto, mas recorreu da sentença. (Com Redação)