Goiânia nasceu como símbolo ambiental, defende arquiteta
Redação Online
Publicado em 13 de setembro de 2026 às 20:02 | Atualizado há 8 segundos
Arquiteta defende Goiânia como símbolo ambiental | Fotos: Acervo Pessoal
Meyrithania Michelly
A arquiteta e urbanista Narcisa Abreu defende que Goiânia precisa recuperar uma característica presente desde sua concepção: a vocação ambiental. Com 12 anos de atuação no Instituto de Planejamento Municipal e cinco anos de trabalho ao lado do consultor Heitor Ferreira de Sousa, ela dedicou parte da trajetória profissional à pesquisa sobre as origens do planejamento da capital e às transformações ocorridas no projeto urbanístico ao longo das décadas.
Segundo Narcisa, os planos urbanísticos adotados posteriormente acabaram se afastando dos objetivos estabelecidos no planejamento original da cidade. A constatação a levou a investigar os princípios que nortearam a criação de Goiânia, os profissionais envolvidos no projeto e as influências que receberam.
Durante a pesquisa, a arquiteta criou um banco de dados com informações sobre antigos pioneiros da capital e buscou relatos de pessoas que acompanharam os primeiros anos de formação da cidade. Também investigou os projetistas responsáveis pelo planejamento urbano e seus mestres. Entre as fontes consultadas estavam pessoas próximas a Coimbra Bueno e outros personagens ligados à criação de Goiânia. Narcisa relata ainda ter conversado com Coimbra e Bueno durante visitas ao Rio de Janeiro.
Parte desse trabalho foi reunida no livro “Goiânia: Evoluções do Plano Urbanístico Original”, resultado de anos de viagens, entrevistas e pesquisas. A obra procura recuperar a memória do planejamento urbano da capital e compreender como os conceitos originais foram modificados ao longo do tempo.

Vocação ambiental
Para Narcisa, a preocupação ambiental não é uma característica que Goiânia precisa construir, mas uma vocação que já estava presente em sua origem. A arborização e a presença de parques são apontadas por ela como elementos fundamentais da identidade urbana da capital.
A arquiteta considera que essa característica ganhou ainda mais importância diante do debate mundial sobre mudanças climáticas e preservação ambiental. É nesse contexto que ela defende a criação do projeto “Goiânia Vida Verde”, concebido como uma plataforma permanente de discussão e mobilização em torno das questões ambientais da cidade.
A proposta pretende utilizar o patrimônio ambiental de Goiânia como instrumento para estimular debates, atrair cientistas, desenvolver uma espécie de turismo científico e promover ações voltadas à preservação. A iniciativa também prevê a busca de recursos para projetos ambientais e a valorização das áreas verdes e das nascentes da capital.
Segundo Narcisa, o projeto recebeu apoio do vereador Anselmo Pereira, que trabalha para transformar a proposta em lei. A educação ambiental é um dos pilares defendidos pela arquiteta. Ela afirma ter uma preocupação histórica com a criação de oportunidades para os jovens e acredita que a iniciativa pode unir preservação ambiental e formação das novas gerações.
Goiânia Vida Verde ultrapassa limites municipais

“Precisamos preparar as crianças desde muito pequenas para aprender a valorizar as nascentes e o meio ambiente”, afirma a arquiteta Narcisa Abreu. A ideia é estimular, desde os primeiros anos de vida, uma relação de cuidado com as áreas verdes, as nascentes e os recursos naturais de Goiânia. Para Narcisa, a formação dessa consciência pode contribuir para que a cidade preserve características que fizeram parte de sua concepção.
Além da preservação, Narcisa vê no Goiânia Vida Verde uma possibilidade de posicionar a capital em um debate que ultrapassa os limites municipais. A intenção é transformar as características ambientais da cidade em uma plataforma capaz de reunir pesquisadores, iniciativas públicas e sociedade.
“Eu acho que esse projeto vai ser interessante para Goiânia se posicionar para outras cidades do Brasil e do mundo”, afirma. A expectativa é que a iniciativa possa criar uma identidade associada à questão ambiental e, ao mesmo tempo, estimular pesquisas, educação, turismo científico e investimentos em preservação.

Encontro no Secovi
A aproximação entre Narcisa e Anselmo, segundo a arquiteta, ocorreu durante uma reunião no Secovi. No encontro, ela se deparou com pessoas usando camisetas com a inscrição “Goiânia Vida Verde”.
Narcisa relata que, na ocasião, encontrou Marislei Brasileiro, que sugeriu que Anselmo poderia contribuir com a iniciativa. A partir do contato, ele teria manifestado interesse em levar o projeto adiante e passou a trabalhar para transformá-lo em lei.
A arquiteta também destaca o apoio recebido de Rosana Faleiros durante a construção da proposta. Para Narcisa, recuperar a história do planejamento original e discutir o futuro ambiental da capital fazem parte de um mesmo processo.
A pesquisa sobre as origens de Goiânia, iniciada a partir da percepção de que a cidade havia se afastado de seus princípios urbanísticos, agora se conecta à tentativa de recolocar o meio ambiente no centro da discussão sobre o futuro da capital.