Goiânia tem 40 mocós identificados pela PM, e derrubada de imóveis abandonados ajuda a conter crimes no Centro
Redação Online
Publicado em 13 de outubro de 2026 às 16:36 | Atualizado há 52 minutos
Goiânia mapeia 40 mocós, e demolições ajudam a reduzir a violência no Centro | Foto: Prefeitura de Goiânia
Um levantamento do 38º Batalhão da Polícia Militar (PM) identificou 40 imóveis e estruturas abandonadas usados como abrigo por pessoas em situação de rua, usuários de drogas e suspeitos de crimes. Conhecidos como mocós, os espaços estão distribuídos por 64 bairros sob responsabilidade da unidade, com maior concentração nos setores Campinas, Central, Universitário e dos Funcionários.
Segundo o comandante do batalhão, tenente-coronel Johnathan Tarley, o relatório de inteligência foi elaborado no fim de 2025 e recomendou a demolição de imóveis comprometidos ou a notificação dos proprietários. A Defesa Civil avalia as condições das estruturas antes das intervenções. Na região do Dergo, uma operação conjunta com a Prefeitura de Goiânia retirou cerca de dez barracas abandonadas que, conforme a PM, eram usadas por pequenos traficantes.
Entre os locais identificados está uma antiga escola de implantes odontológicos no Setor Central, onde foram encontrados materiais e aparelhos de raio-X de alto valor. Em agosto, a prefeitura interveio no imóvel após um alerta da PM sobre possível risco de contaminação radioativa. Nenhum equipamento radioativo foi localizado. Na esquina da Avenida Araguaia com a Rua 2, uma construção sem uso há cerca de 25 anos também foi alvo de fiscalização após ocupações irregulares. O proprietário deverá cercar o espaço com um muro alto e concertina, medida escolhida porque a estrutura ainda pode ser aproveitada.
Desde a entrega do relatório, aproximadamente dez estruturas foram demolidas com apoio da PM. Entre os locais atingidos estão o antigo banheiro da Praça do Trabalhador e dois imóveis na Rua 74, além de edificações no Dergo, no Setor Universitário e no Setor dos Funcionários. De acordo com Tarley, novas intervenções estão previstas até o fim deste ano.
O tenente-coronel afirmou que o 38º BPM registrava, em média, dois homicídios por mês, muitos deles associados a conflitos entre pessoas em situação de rua e pequenos traficantes que frequentavam os mocós. Após as demolições, o Setor Central permaneceu cerca de dois meses sem mortes violentas, conforme o comandante. A estratégia também inclui a Patrulha da Dignidade, que encaminha pessoas em situação de rua para comunidades terapêuticas, e grupos de WhatsApp com comerciantes. Segundo a PM, 138 pessoas já foram encaminhadas por meio dessas ações.