Cotidiano

Goiás contra o Aedes

Redação DM

Publicado em 14 de dezembro de 2015 às 22:32 | Atualizado há 1 ano

Em estado de emergência em saúde pública, as ações para o combate ao vetor da dengue, chikungunya e zika são intensificadas com o lançamento, hoje, do movimento “Goiás contra o Aedes”. Com isso, prefeitos dos doze maiores municípios goianos, com mais de cem mil habitantes, decretarão estado de emergência em saúde pública em suas cidades e também são convidados a criar comitês municipais de combate ao mosquito.

“O prefeito municipal é figura decisiva para formar a força tarefa local, combatendo o mosquito Aedes e reduzindo as doenças da população”, afirma o governador Marconi Perillo. Para o secretário de Estado da Saúde (SES-GO), Leonardo Vilela, com essas ações o estado assume a prevenção em toda sua força, para proteger a população de doenças letais, graves e sem precedentes na medicina mundial.

Em Goiás já são 92.429 casos confirmados e 183.722 notificados de dengue, com a variação de 54,92% comparados com o ano passado, com 76 óbitos confirmados e 52 suspeitos da doença. Em relação à microcefalia em Goiás, de acordo com dados divulgados pelo Ministério da Saúde, o estado registra três casos suspeitos. No país, já são mais de 1.761 casos suspeitos e dezenove óbitos. E a infecção por Zika vírus, o estado registra 29 casos notificados, 19 em investigação e 10 casos que foram descartados, até o dia 05 deste mês.

O governo também lança ação emergencial com visitas até 31 de janeiro em todos imóveis localizados nos 246 municípios goianos, que contará com a retirada de lixo e entulho, além de ações de educação e conscientização. O trabalho será feito em parceria com o Corpo de Bombeiros Militar de Goiás (CBM-GO) e a prefeitura da cidade.

Decreto

Com o decreto que declara estado de emergência em saúde pública, fica dispensada a licitação para aquisição pública de insumos e materiais, a contratação de serviços necessários ao atendimento da situação emergencial e contratação de pessoal por tempo determinado. É uma medida preventiva para que Goiás se antecipe as situações vividas em outros estados brasileiros.

No decreto fica estabelecido que as ações e serviços públicos voltados à contenção da emergência serão articulados em conjunto pelo Comitê Executivo Estadual de Combate ao Aedes. O comitê é composto pelos órgãos: Secretaria Estadual de Saúde, que coordenará a sua atuação; Secretaria Estadual de Educação, Cultura e Esporte; Secretaria de Meio Ambiente, Recursos Hídricos, Infraestrutura, Cidades e Assuntos Metropolitanos; Secretaria de Segurança Pública, Justiça e Administração Penitenciária; Secretaria Estadual da Mulher, do Desenvolvimento Social, da Igualdade Racial, dos Direitos Humanos e do Trabalho; Agência Goiana de Transportes e Obras; e Saneago.

Combate ao inimigo

Logo após a notificação do primeiro caso de microcefalia suspeito de ter alguma relação com o Zika vírus a Secretaria Estadual de Saúde tornou obrigatória a notificação por parte dos profissionais da área, de todos os casos de Zika em Goiás. Também encaminhou nota técnica às unidades da rede para formulação do padrão de microcefalias no estado, no intuito de identificar mudanças na ocorrência das microcefalias.

Para o gerenciamento de crise, a sala de situação com foco em Aedes aegypti, que funciona no Conecta SUS, passou a trabalhar em conjunto com o Centro de Informações Estratégicas e Resposta em Vigilância em Saúde (CIEVS) e o Corpo de Bombeiros Militar de Goiás (CBM-GO), para construir uma agenda de mobilização a fim de eliminar os criadouros do mosquito Aedes aegypti.

A parceira com o Corpo de Bombeiros também irá apoiar em relação a instalação dos Comitês Municipais de Combate ao Aedes. O trabalho será feito por meio das 42 unidades do CBM-GO e das Coordenadorias Municipais de Defesa Civil, com apoio das 18 Regionais de Saúde do Estado.

“Iremos usar a nossa experiência em gerenciamento de crises para colaborar no planejamento das ações necessárias para combater o mosquito. A iniciativa contará com todo nosso efetivo”, afirma o Coronel Múcio Ferreira dos Santos, comandante de Apoio Logístico do Corpo de Bombeiros.

Ação emergencial começa amanhã

A primeira ação emergencial começa amanhã (16), em Trindade, com a retirada de lixo e entulho, além de ações de educação e conscientização. Uma parceria da Secretaria Estadual de Saúde, com o Corpo de Bombeiros Militar de Goiás (CBM-GO) e a prefeitura da cidade. “Essa é uma ação piloto que será replicada até 31 de janeiro em todos os 3 milhões e 120 mil imóveis localizados nos municípios goianos”, afirma o secretário Leonardo Vilela.

Em Trindade, cidade piloto, cada quarteirão terá uma equipe que será formada por: um coordenador de quarteirão do Corpo de Bombeiros, um agente de combate a endemias, três voluntários, um bombeiro mirim e um agente comunitário de saúde. E contará com a participação da iniciativa 194 agentes comunitários de Saúde do município e 66 agentes de combate de Endemias, sendo 17 da Regional de Saúde.

De acordo com a secretaria, para a ação emergencial serão 2.700 agentes de combate a endemias e 8.079 agentes comunitários que participarão. A meta é percorrer todos os domicílios goianos, conforme o Plano Nacional de Defesa Civil. “Vamos verificar todos os imóveis com os agentes de saúde para intensificar o combate ao mosquito”, diz o chefe do Departamento de Minimização de Desastres, Ameaças e Riscos do CBM-GO, Tenente Coronel Pedro Carlos Borges de Lira.

O secretário Leonardo Vilela afirma que a parceria com o Corpo de Bombeiros é histórica e que certamente contribuirá muito com o trabalho, já que os Bombeiros são pioneiros no atendimento emergencial em saúde e agora estende parceria para a prevenção em saúde e o combate ao mosquito.

Fluxo de Atendimento a gestantes e bebês

Para atender grávidas e bebês com suspeitas de microcefalia, Secretaria criou protocolo de atendimento (Foto: Reprodução ABr)

Para atender gestantes com suspeita do Zika vírus e outras doenças exantemáticas (que causam manchas vermelhas na pele) e recém-nascidos com microcefalia em Goiás, a Secretaria Estadual de Saúde definiu um fluxo de atendimento a esses pacientes, contando com o apoio do Hospital de Doenças Tropicais (HDT), Hospital Materno Infantil (HMI) e o Centro de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo (CRER). De acordo com a secretaria, como o HDT é referência no tratamento de doenças infecciosas dará apoio ao diagnóstico para o HMI e CRER.

De acordo com o fluxo, as gestantes que apresentarem sintomas de Zika ou qualquer outra doença exantemática deverão ser encaminhadas para a realização de exames específicos. Sendo assim, todos os casos suspeitos deverão ser obrigatoriamente notificados, caso houver alterações diagnosticadas, a grávida deverá ser encaminhada para o pré-natal de alto risco no HMI.

Já os casos de recém-nascidos diagnosticados com microcefalia, deverão imediatamente ser notificados e encaminhados para a realização de exames específicos e acompanhamento no CRER. No local serão oferecidos tratamento aos bebês, tanto do interior quanto da capital, nas áreas de fisiatria, oftalmologia, otorrinolaringologia, neuropediatria e pediatria. Na unidade, eles terão também atendimento multiprofissional, incluindo estimulação precoce visual, motora, cognitiva e auditiva; fisioterapia e fonoaudiologia. O CRER oferecerá ainda apoio psicológico às famílias.

De acordo com o secretário Leonardo Vilela, mesmo diante do fluxo estabelecido, todas as unidades poderão atender os pacientes com suspeita de doenças transmitidas pelo Aedes. “O estabelecimento de um fluxo não significa que os pacientes não possam ser atendidos em outras unidades. Após o atendimento, eles serão encaminhados. O fluxo é uma forma de sistematizar o atendimento com qualidade e eficiência”, afirma.

Síndrome de Guillain-Barré

Com o aumento do número de casos em estados brasileiros, o Ministério da Saúde investiga possível relação entre o Zika vírus e a síndrome de Guillain-Barré, e por isso Goiás também elaborou um fluxo para atender possíveis casos. Os casos de complicações neurológicas resultantes de quadros infecciosos deverão ser obrigatoriamente notificados e os pacientes encaminhados para o Hospital de Doenças Tropicais (HDT). Os pacientes com complicações menos graves serão encaminhados para tratamento de reabilitação no Condomínio Solidariedade, e os mais graves serão direcionados para o Centro de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo (CRER).

Guillain-Barré pode afetar o sistema nervoso podendo provocar fraqueza muscular, paralisias dos membros e até mesmo a óbito. Estudos mostram que a síndrome pode resultar de infecções causadas por bactérias ou vírus e o Zika pode ser um deles.

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