Governo americano acusa Vladimir Putin de corrupção
Redação DM
Publicado em 25 de janeiro de 2016 às 06:01 | Atualizado há 11 anosMOSCOU — O governo americano acusou Vladimir Putin de corrupção e uso indevido do patrimônio público nesta segunda-feira. Esta é a primeira vez que o Tesouro americano faz uma acusação direta ao presidente russo, embora os EUA já tivessem imposto sanções a alguns dos seus assessores em 2014. O Kremlin nega as acusações.
Em entrevista à “BBC”, o subsecretário para Terrorismo e Inteligência Financeira, Adam Szubin, afirmou que o governo americano conhece o longo histórico de corrupção de Putin há anos.
— Nós vemos que ele enriquece seus amigos e seus aliados mais próximos com os bens do Estado, enquanto marginaliza aqueles a quem não considera seus amigos. Sejam as riquezas energéticas russas, sejam contratos públicos, ele os direciona a quem ele acredita que pode lhe ajudar e exclui os outros. Isto é corrupção — disse Szubin à rede britânica.
As autoridades americanas já haviam declarado, à época das sanções, que o mandatário russo teria investimentos secretos no setor de energia. No entanto, os investigadores não tinham evidências sólidas para oficializar as suspeitas sobre o enriquecimento de Putin — que estariam ligadas a corrupção, nepotismo e apropriação indevida de recursos públicos.
— Supostamente, Putin ganha um salário do Estado em torno de US$ 110 mil por ano. Mas essa não é uma declaração precisa dos ganhos de Putin, e ele tem anos de prática em como mascarar seu patrimônio exato — afirmou o subsecretário.
Em 2007, o analista político russo Stanislav Belkovsky afirmou que Putin teria US$ 40 bilhões em participações de empresas de energia nacionais. No ano passado, o gestor de fundos Bill Browder, voraz crítico do presidente russo, disse que a fortuna do adversário político chegava a U$S 200 bilhões — o que faria dele o homem mais rico do mundo.
O Kremlin nega as acusações. Em 2008, o próprio Putin respondeu que eram inventadas as declarações de que seria o homem mais rico da Europa. Mas o “Panorama” contatou alguns ex-assessores de Putin que alegavam ter informações em primeira-mão sobre a riqueza do ex-patrão.