Grupo do PMDB contrário a Dilma articula chapa alternativa para comissão
Redação DM
Publicado em 7 de dezembro de 2015 às 02:25 | Atualizado há 11 anosBRASÍLIA — Os partidos anunciam na tarde desta segunda-feira os deputados indicados para comissão especial responsável por emitir um parecer sobre o pedido de impeachment. O prazo para fecharem os nomes termina às 18h. O colegiado deverá ser oficialmente instalado hoje.
PMDB
O grupo dentro do PMDB que é contrário à presidente Dilma Rousseff está articulando a construção de uma chapa alternativa para disputar as vagas a que o partido tem direito dentro da comissão do impeachment. A ideia é evitar que os nomes indicados pelo partido sejam todos alinhados com o Planalto. Isso poderia provocar uma reviravolta na contagem de apoios do Palácio do Planalto.
No PMDB, as escolhas – para a irritação de aliados de Cunha – cabem ao líder Leonardo Picciani (RJ), próximo do Palácio do Planalto. Segundo o deputado Washington Reis (RJ), as escolhas de Picciani serão em peso a favor de Dilma. Ele disse que, além de Picciani, já foram escolhidos para integrar a comissão o deputado José Priante (PA) e o próprio Reis. E que ambos votarão contra o impeachment, seguindo o líder.
— Apoiamos o presidente Eduardo Cunha, no partido isso é unânime. Mas não é porque ele é contra a Dilma que a gente vai ser também. No campo das ideias é tiro, porrada e bomba — disse Reis ao GLOBO.
— O Picciani está cumprindo o seu papel como aliado do governo. Ele fez essa coalizão com o governo e a tendência é ficar ao lado dele. Se o Lucio (Vieira Lima), que perdeu por um voto, tivesse virado líder, ia montar da forma oposta. É do jogo — afirmou o deputado.
Eduardo Cunha teria dito a aliados que, caso Picciani faça escolhas muito pró-governo, haveria uma crise “sem precedentes” no PMDB.
PT
O líder do PT na Câmara, deputado Sibá Machado (AC), informou os oito petistas que vão participar da comissão especial do impeachment. Além do próprio Sibá e do líder do governo na Casa, José Gumarães (CE), também ocuparão assentos os deputados Wadih Damous (RJ), Henrique Fontana (RS), José Mentor (SP), Arlindo Chinaglia (SP) – adversário de Eduardo Cunha na eleição para a presidência da Câmara -, Paulo Teixeira (SP) e Vicente Cândido (SP). O PT terá o maior número de representantes na comissão ao lado do PMDB, que também terá oito integrantes
PSB
A bancada do PSB está reunida e já anunciou três dos quatro titulares. Estão definidos o líder do partido na Câmara, Fernando Coelho Filho (PE), Danilo Forte (CE) e Tadeu Alencar (PE). A decisão está sendo no voto. A quarta vaga está sendo disputada por três parlamentares: Luiza Erundina (SP), João Fernando Coutinho (PE) e Bebeto (BA).
Fernando Coelho disse que, na bancada, prevalece a posição favorável ao partido votar pelo afastamento de Dilma. Dos 34 deputados, em torno de 20 teriam essa opinião. Mas a decisão se dará na próxima quarta-feira, quando a Executiva do partido se reúne, em Brasília.
PR
O PR definiu seus quatro titulares e quatro suplentes. Os titulares são: o líder Maurício Quintella Lessa (AL), Aelton Freitas (MG), Márcio Alvino (SP) e Lúcio Vale (PA). Os suplentes serão: Miguel Lombardi (SP), Altineu Cortes (RJ), João Carlos Bacelar (BA) e Wellington Roberto (PB).
PSC
O PSC, partido com uma bancada de 14 deputados, irá defender o impeachment da presidente Dilma Rousseff na comissão. O líder do partido, André Moura (PSC-SE), um dos mais próximos aliados do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), indicará os deputados Eduardo Bolsonaro (RJ) e Pastor Marco Feliciano (SP) para o colegiado. Como suplentes ficarão os deputados Irmão Lázaro (BA) e Delegado Macos Reategui (AP).
— Esses deputados todos têm voto declarado contra Dilma. Essa composição deixa bem claro como o partido vai se comportar em relação ao impeachment — pontua André Moura.
O líder do partido disse que comunicou a decisão à Executiva do partido e que recebeu o sinal verde por parte do presidente do PSC, Pastor Everaldo.
— Aprovamos uma decisão conjunta — afirma Moura.