José Eliton é alvo de operação sobre desvio de R$ 46 mi da Agetop
Redação DM
Publicado em 16 de junho de 2021 às 14:46 | Atualizado há 5 anos
O ex-governador José Eliton, presidente estadual do PSDB, é um dos alvos da Operação Terra Fraca, deflagrada pela Delegacia Estadual de Combate à Corrupção (Deccor) e que apura supostos desvios de recursos da antiga Agetop, atual Goinfra (Agência Goiana de Infraestrutura).
O advogado do ex-governador afirmou que ainda não teve acesso à decisão e aguarda informações do inquérito para se posicionar, mas que a operação gera grande estranhamento. “É algo constrangedor e desnecessário”, afirmou.
O ex-presidente da Agetop Jayme Rincón também é alvo da operação, mas não tem mais endereço em Goiânia. Segundo as informações, trata-se da investigação de desvios em obra rodoviária de Água Fria a Mimoso.
A polícia conseguiu 22 mandados de busca e apreensão, que tem como alvos 7 empresas e 7 pessoas físicas, incluindo servidores da antiga Agetop. As ordens judiciais foram cumpridas contra 10 alvos em Goiás e 2 no Tocantins.
A investigação apura desvio de recursos públicos da Goinfra (antiga Agetop) com envolvimento de empresas privadas, servidores da Agetop e também do núcleo político e financeiro que gerenciava os contratos da agência, garantindo tanto os pagamentos, quanto a operacionalização de lavagem de dinheiro.
De acordo com a polícia, empresas privadas e pessoas físicas são investigadas por peculato, organização criminosa, superfaturamento de obra e lavagem de capitais.
R$ 46 milhões
O delegado Luiz Gonzaga, responsável pela Operação Terra Fraca, da Delegacia de Combate à Corrupção (Deccor), afirma que há suspeita de desvio de R$ 46 milhões da antiga Agetop (atual Goinfra) em contrato de obra da rodovia GO-230, entre Mimoso e Água Fria. O ex-governador José Eliton, presidente estadual do PSDB foi alvo da operação.
O delegado afirmou que as investigações apontam “núcleos político e financeiro” para sustentar as irregularidades no contrato. Ele apontou suspeitas de peculato, organização criminosa, superfaturamento, descaracterização do objeto, subcontratação ilegal e lavagem de dinheiro. “O núcleo político garantia os pagamentos das medições realizadas e o núcleo financeiro girava esse dinheiro do grupo de forma a transparecer um caráter lícito, configurando a figura de lavagem de dinheiro”, afirmou o delegado.
Luiz Gonzaga não falou sobre os investigados, alegando impedimento legal. “Não podemos tecer comentários sobre pessoas investigadas. A lei de abuso de autoridade veda esse tipo de conduta. O que podemos afirmar, com base nos indícios já apresentados até o momento, é que havia os núcleos que davam todo o sustentáculo para a execução e atuação dessa organização criminosa”, disse.
O contrato para a obra rodoviária foi feito em 2013, com a empresa Terra Forte Construtora, que tem como proprietário Carlos Eduardo Pereira da Costa, que havia sido alvo da Operação Decantação em 2016.
Defesas
Segundo o advogado Tito Amaral, foram recolhidos celular pessoal e pen-drive do computador do ex-governador. Os mandados foram cumpridos na casa, no condomínio Aldeia do Valle, e no escritório de Eliton, no Setor Marista.
O advogado Romero Ferraz Filho esclarece que Jayme Rincón, o ex-presidente da antiga Agetop, não é alvo da ação policial.