Justiça em casa
Redação DM
Publicado em 16 de março de 2017 às 02:14 | Atualizado há 9 anosAo tomar conhecimento que Júlio César Almeida da Silva, de 32 anos, portador da doença Behçet (inflamação dos vasos sanguíneos que também afeta as articulações), estava impossibilitado de comparecer à audiência para reconhecimento de união estável com a companheira Dionízia Dias Jorge, 31, o juiz Rinaldo Aparecido de Barros foi até a residência do casal para inspeção judicial.
O magistrado foi acompanhado da promotora de Justiça Úrsula Catarina Fernandes Pinto, designada pelo Ministério Público de Goiás (MP-GO) para colaborar com os trabalhos do Programa Justiça Ativa do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJ-GO), que está sendo realizado na comarca de Padre Bernardo até o dia 17.
Apesar da dificuldade na fala, por conta da doença, Júlio César confirmou ao juiz Rinaldo a existência da união estável com a autora da ação, Dionízia, afirmando que está sob seus cuidados, desde o início da doença, e que “ela cuida bem dele”. “Vou cuidar dele doutor até quando Deus quiser. Nunca vou abandoná-lo”, afirmou a companheira, emocionada. Esta frase foi dita na casa do casal, enquanto ela segurava a mão do companheiro, que passou o tempo todo deitado numa cama, na varanda do barraco, ainda em construção e localizado na Rua Piauí, na Vila Maria, em Padre Bernardo, município localizado na região do Entorno do Distrito Federal.
CONVIVÊNCIA
Dioníza contou ao juiz e à promotora, no início da audiência, realizada no fórum da comarca, que mora com Júlio César desde abril de 2007, numa convivência duradoura, pública e contínua. O casal necessita provar tal situação para valer-se dos benefícios instituídos pela Lei nº 9.278/96 (Lei da União Estável). Segundo ela, em janeiro de 2014, com o agravamento da doença, Júlio César “caiu na cama e nunca mais saiu dela”. “Ele depende de nós para tudo”, ressaltou Dionízia, lembrando, ainda, que até a fala ele perdeu quase que completamente e mal dá para entender o que ele diz.
Juiz Rinaldo observou que a iniciativa não é única, vez que outros magistrados também se portam com igual entendimento. Segundo ele, quando uma das partes está impossibilitada de comparecer ao fórum, os juízes vão até o local onde estão para realizar uma inspeção judicial ou até mesmo a audiência do caso.