Leite engorda atravessadores
Redação DM
Publicado em 18 de agosto de 2016 às 02:28 | Atualizado há 10 anosO leite tem saído dos produtores ao preço de 1,49 o litro e chegado às mesas dos consumidores por até 6 reais
Ao estio prolongado é atribuído reações inesperadas nos preços do leite, que sofreu aumento de até 70% nas redes de supermercados. Os consumidores estão chiando quando se deparam com a caixa de um litro nas prateleiras. Num dos hipermercados de Goiânia, uma das marcas estava sendo revendida no varejo a R$3,79 o litro. Noutra rede, na promoção, o leite estava sendo oferecido, ontem, a R$ 3,45 a caixa de um litro.
Os produtores, por sua vez, tiveram reajustes de no máximo 25% nas indústrias de laticínios. E chiam, também. A alegação é de que as chuvas desapareceram das regiões produtoras nos últimos três meses, ocasionando pastos pobres em nutrientes. Para alimentar o rebanho, os criadores gastam bem mais na compra de rações. As preocupações para o próximo ano são crescentes com a pecuária leiteira, porque os produtores terão que fazer novos investimentos, segundo o presidente da Comissão da Pecuária Leiteira da Federação da Agricultura do Estado de Goiás (Faeg), Antônio Pinto.
Pelas condições climáticas habituais, as chuvas que caíram ontem em grande parte do Estado pouco refrescam para os pastos e as lavouras. O tempo chuvoso costuma acontecer a partir de outubro ou novembro. Enquanto isso, a perspectiva é de seca, fator que prejudica a alimentação do rebanho e consequente índice de produtividade leiteira. “Estamos investindo para tentar superar esse momento crítico”, assinala Antônio Pinto ao Diário da Manhã.
Na sua avaliação, o reajuste nos preços do leite in natura parece muito. Mas, na verdade, a indústria de laticínios segurou qualquer aumento por pequeno que fosse forçando a venda de matrizes para manutenção da renda do produtor. “O momento é de cautela”, conclui.
Baixa oferta
A baixa oferta de leite no campo segue impulsionando o valor ao produtor e também dos derivados no atacado. Em julho, o valor médio bruto pago ao produtor (que inclui frete e impostos) foi de R$ 1,4994/litro, alta expressiva de 12,9% em relação a junho de 2016 e de 30,7% frente a julho de 2015, segundo pesquisas do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP.
Essa é a maior média real da série do Cepea, iniciada em 2000 (valores foram atualizados pelo IPCA). O valor atingido em julho surpreendeu agentes do mercado leiteiro, visto que ultrapassou os históricos patamares elevados verificados em 2013, ano de demanda aquecida. Essas médias são ponderadas pelo volume captado nos Estados de Goiás, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Bahia.
O forte aumento nos preços ao produtor em julho e agosto foi verificado mesmo com o ligeiro aumento da captação pelas indústrias em junho. De acordo com o Índice de Captação de Leite do Cepea (ICAP-L/Cepea), o volume comprado pelos laticínios cresceu 1,42% em junho, sendo impulsionado especialmente pela produção do Sul do Brasil. Nessa região, produtores forneceram, em média, 5,9% a mais de leite no comparativo com o mês anterior. Este avanço na produção se deve às forragens de inverno. Mesmo com as geadas que prejudicaram algumas bacias leiteiras, as forragens conseguiram dar suporte para a alimentação dos animais neste período de altos custos dos concentrados.
Para o restante deste mês, a expectativa de representantes de laticínios/cooperativas consultados pelo Cepea é novamente de alta nos preços, devido à baixa disponibilidade de matéria-prima. Entre os entrevistados, 89,1%, que representam 98,5% do volume amostrado, acreditam em nova alta nos preços do leite em agosto, enquanto o restante (10,9%, que correspondem a 1,5% do volume) acredita em estabilidade nas cotações. Nenhum dos colaboradores consultados estima queda de preços para agosto.