Cotidiano

Levantamento revela mais de 150 terremotos registrados em Goiás ao longo de dois séculos

Redação Online

Publicado em 8 de julho de 2026 às 19:49 | Atualizado há 28 minutos

Goiás registra tremores recorrentes e Mara Rosa concentra maior terremoto da história do Estado | Foto:  Observatório da UnB
Goiás registra tremores recorrentes e Mara Rosa concentra maior terremoto da história do Estado | Foto: Observatório da UnB

Apesar de estar distante do encontro entre placas tectônicas, Goiás acumulou mais de 150 registros de terremotos desde 1826. Levantamento com base em dados do Observatório Sismológico da Universidade de Brasília (UnB) e da Rede Sismográfica Brasileira mostra que os abalos ocorreram em dezenas de municípios, principalmente nas regiões Norte e Noroeste do Estado.

O episódio mais intenso ocorreu em 8 de outubro de 2010, quando Mara Rosa registrou um terremoto de magnitude 5,0, o maior já medido em território goiano. O tremor foi sentido em diversas cidades de Goiás e até no Distrito Federal. Na mesma sequência sísmica, o município também registrou abalos de magnitudes 4,2 e 3,6.

Os registros apontaram maior concentração de tremores em municípios como Mara Rosa, Minaçu, Montividiu do Norte, Porangatu, Estrela do Norte, Santa Tereza de Goiás, Campinaçu, Mozarlândia, Nova Crixás e Novo Planalto. Especialistas atribuíram o fenômeno à existência de antigas falhas geológicas reativadas pelos esforços naturais da crosta terrestre.

Em 2024, Goiás contabilizou 21 terremotos, número superior aos cinco registrados em 2023 e aos seis de 2022. Apenas o mês de março concentrou dez ocorrências. O maior tremor daquele ano aconteceu em Trombas, com magnitude 3,1 na Escala Richter.

Segundo o professor Marcelo Peres Rocha, do Observatório Sismológico da UnB, os terremotos registrados em Goiás pertencem à categoria intraplaca, diferente dos grandes eventos observados em países localizados nos limites das placas tectônicas. O pesquisador explicou que o Estado integra a Faixa Sísmica Goiás-Tocantins, área de fragilidade geológica que favorece pequenos abalos.

O especialista afirmou que a impressão de aumento na quantidade de terremotos decorreu da ampliação da rede de monitoramento e da velocidade na divulgação das informações. De acordo com ele, os equipamentos atuais detectam eventos menores, enquanto as redes sociais ampliam a percepção da população.

Moradores de cidades do Norte goiano lembraram o terremoto de 2010 como um momento de grande apreensão. Objetos vibraram, janelas balançaram e o fenômeno surpreendeu a população. Apesar do susto, não houve registro significativo de destruição nem vítimas.

A Defesa Civil de Goiás informou que o Estado nunca enfrentou um desastre provocado por terremotos, mas mantém planos de contingência adaptáveis para esse tipo de ocorrência. O órgão também destacou que trabalha de forma integrada com instituições responsáveis pelo monitoramento sísmico e pode emitir alertas à população quando necessário

Em caso de tremor, a recomendação é manter a calma, proteger a cabeça, permanecer longe de janelas e objetos que possam cair e evitar o uso de elevadores. Após o abalo, a orientação é deixar o imóvel de forma organizada, verificar possíveis riscos estruturais e acompanhar apenas informações divulgadas por órgãos oficiais.


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