Cotidiano

Líder nacionalista desafia China e é favorita em Taiwan

Redação DM

Publicado em 16 de janeiro de 2016 às 05:05 | Atualizado há 11 anos

TAIPÉ – Os eleitores de Taiwan podem, pela primeira vez em sua História, levar uma mulher à Presidência nas eleições de hoje. De acordo com recentes pesquisas de opinião, Tsai Ing-wen, de 59 anos, líder do Partido Progressista Democrático (PPD) — cuja principal bandeira é o nacionalismo — tem cerca de 50% das intenções de voto, e uma vantagem de quase 20 pontos percentuais sobre Eric Chu, candidato do Kuomintang (KMT), partido do presidente Ma Ying-jeou.

A queda de popularidade do KMT, impulsionada pela frágil economia da ilha e pela reaproximação do partido com Pequim, não apenas facilita uma vitória do PPD nas urnas, mas também deixa a China em alerta. Entre 2000 e 2008, durante a gestão de Chen Shui-bian, as relações entre os governos ficaram estremecidas com ameaças de declaração de independência da ilha — considerada uma província rebelde por Pequim — e um escândalo de corrupção que levou o então presidente para trás das grades, antes mesmo do fim de seu mandato. O KMT voltou ao poder com Ma, defensor do princípio da “China única”, no qual a China e Taiwan — que ficou independente de fato com a fuga dos nacionalistas para a ilha, após a vitória dos comunistas de Mao Tsé-tung em 1949 — seriam partes indivisíveis de um só país.

Em abril de 2014, a assinatura de um acordo comercial com a China levou manifestantes do chamado Movimento dos Girassóis a ocuparem o Parlamento taiwanês durante 23 dias, e, em novembro passado, um encontro de Ma com o presidente chinês, Xi Jinping, gerou novos protestos.

Diversificação econômica

Educada em universidades americanas e inglesas, Tsai obteve mais de 45% dos votos nas eleições de 2012, que mantiveram o KMT na Presidência, e foi classificada por Ma como uma “separatista extremista”. No entanto, o PPD vem diminuindo a ênfase na busca pela independência, embora defenda fortemente uma ampliação de negociações comerciais com nações do Sudeste Asiático, que tirariam o foco da China e diversificariam a economia local.

— Entro nesta eleição não para derrotar qualquer um, mas para derrotar a situação em que o país se encontra — afirmou ela, num comício.

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