Lugar de homem é na cozinha
Redação DM
Publicado em 1 de setembro de 2016 às 02:12 | Atualizado há 10 anosCozinhar deixou de ser exclusividade das mulheres e, cada vez mais, os homens também aprendem a pilotar o fogão. Aquela velha ideia de que lugar de mulher é na cozinha está mudando. Hoje, é bem mais comum ver barbudos assumindo esse posto. Os rapazes roubam a cena e não preparam apenas sanduíches e frituras, eles confeccionam pratos sofisticados e saborosos, deixando muita mulher impressionada.
Picadinho de carne de porco com legumes e molho à base de cerveja escura. De acordo com o advogado Felipe de Oliveira, 25 anos, esse é um dos seus pratos mais famosos. “Comecei a cozinhar por necessidade ainda criança. Fiquei afastado da cozinha até uns 10 meses atrás, quando novamente voltou a ser necessário. Aí, passei a ver programas do tipo MasterChef e comecei a inventar coisas na cozinha. Gostei e hoje cozinho por prazer e necessidade, mais prazer que necessidade, aliás”, afirma.
Felipe de Oliveira garante que não é refinado na cozinha, mas que o seu segredo está no tempero. “Adoro cozinhar carne. Eu testo várias formas de cozimento, com acompanhamentos diversos e molhos diferentes. Uso ingredientes incomuns no dia a dia. Misturo especiarias para chegar a sabores diferentes do habitual”, explica.
Para a nutricionista Amanda Epifânio, existem dois tipos de homens que cozinham. Aqueles que vão para a cozinha diariamente e os cozinheiros de final de semana. Em ambos os casos, eles costumam gostar muito de cozinhar e comer bem. Além disso, sentem prazer em agradar e sentir a aprovação dos amigos e familiares.
“Suas cozinhas são altamente sofisticadas e bem equipadas. Os homens não gostam que outras pessoas usem seus utensílios prediletos e têm ciúmes de seus mimos culinários, como facas especiais, panelas modernas e até utensílios pequenos e práticos, como misturadores de silicone de vários tamanhos e abridores de garrafas e latas de diferentes designers. Enfim, eles não economizam quando o assunto é cozinha”, destaca a nutricionista.
Tiago Domingues Marques, 36 anos, se encaixa no perfil de homens que cozinham todos os dias. Atualmente, ele mora em Londres, onde é chef de cozinha do The White Hart Brew Pub. Ele é goiano, morou no interior até os seus 17 anos, quando mudou para Goiânia. Jovem, solteiro, fora da casa dos pais, ou ele aprendia a cozinhar ou seria cliente fiel dos restaurantes perto de casa.
“Quando mudei para Goiânia minha mãe me ensinou a fazer arroz. E logo depois foi tudo ficando mais fácil. Era arroz com carne, frango, carne seca, vegetais, pequi e linguiça. E muitas saladas, virando um especialista. Eu não tinha geladeira, então minha mãe sempre me mandava carne de lata. Assim sempre comia comida saudável e forte para aguentar a vida corrida da Capital”, lembra Tiago Domingues.
Ele mudou-se para Inglaterra justamente pelo seu dom culinário, na época era um recém-formado em Ciências Contábeis, quando recebeu uma proposta de trabalhar no país da rainha Elizabeth II. Contudo, segundo Tiago, para comandar uma cozinha na Inglaterra é preciso ter diploma, foi então que ele entrou no curso de Gastronomia.
Para o chef, cozinhar não é químico, mas uma arte que requer instinto e gosto em vez de medidas exatas. “Eu amo o que faço! A maior recompensa é a satisfação dos clientes ou de quem degusta. Faço tudo com carinho, o amor é o principal ingrediente. Higiene, paciência e controle são indispensáveis neste ramo tanto no trabalho ou em casa”, aconselha.
Cursos
Para os homens que ainda não experimentaram tentar a sorte na cozinha, a dica da nutricionista Amanda Epifânio é: “todos podem cozinhar. Basta tentar e praticar”. Mas claro que um curso é bem-vindo. Em Goiânia, existem várias instituições privadas que oferecem variados tipos de cursos de culinária, que podem durar de 3 semanas a 12 meses.
Já o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás (IFG) oferece o curso técnico em cozinha, que tem como tem como objetivo formar profissionais que atuem em diferentes etapas do processo de produção de alimentos.