Cotidiano

Lula compara momento vivido pelo Brasil a ‘trem descarrilado’

Redação DM

Publicado em 7 de dezembro de 2015 às 01:25 | Atualizado há 11 anos

SÃO PAULO – Cinco dias depois da abertura de um processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, o ex-presidente Lula avaliou nesta segunda-feira que o momento no país é de um “trem descarrilado” e apelou às centrais sindicais para que evitem ataques ao governo. Num ato organizado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), em São Paulo, Lula disse ainda que a oposição “quer tirar o pobre do poder” e que o processo aberto pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha, é motivado por “ódio e preconceito”.

Embora tenha pedido apoio às centrais, a primeira reunião para definir um calendário em favor do mandado da presidente Dilma revelou que as centrais não pretendem atender ao apelo de Lula. Líderes sindicais e de entidades de esquerda já avisaram que não vão deixar de lado os pedidos por mudança nos rumos da economia. Lula revelou que Dilma quer se reunir ainda nesta semana com os movimentos dispostos a lutar contra o impeachment.

— É como se nós estivéssemos andando num trem que tivesse descarrilado. Não temos agora que ficar brigando para saber em qual vagão cada um vai entrar. A gente tem que colocar o trem outras vez no trilho. Quando ele estiver no trilho, a gente vai brigar. Mas para a gente construir esse direito de rigar outra vez, não podemos permitir que haja um golpe de estado via impeachment – discursou Lula.

O presidente do PT, Rui Falcão, seguiu na mesma linha e disse o momento exige uma “grande coalização nacional”.

O ato reuniu representantes de outras sindicais, como a Força Sindical, a UGT e a CTB, de movimentos sociais, como a UNE, o MST e a Central de Movimentos Populares, e partidos políticos, como o PT, PDT, PCdoB e PCO.

Em encontro reservado antes do ato oficial, os líderes dos movimentos definiram que o movimento terá três bandeiras: não ao golpe, fora Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e por mudanças na política econômica. Os movimentos vão ainda definir na tarde desta segunda-feira, a data do primeiro ato em São Paulo, que deve ocorrer na quarta-feira ou quinta-feira da semana que vem.

Lula voltou a dizer que não há motivação para o pedido de impeachment.

— No caso da Dilma, não há uma motivação a não ser o ódio, preconceito.

O ex-presidente contou ter recebido no sábado uma ligação do ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, em que ele revelou a intenção de a presidente se reunir com os movimentos sociais.

Para Lula, além de mobilizar a sociedade, é importante fazer um acompanhamento diário do posicionamento dos deputados. Ele comparou a situação com a das Direitas Já, quando o povo foi às ruas, mas a proposta de eleições diretas para para presidente foi derrotada no Congresso.

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