Cotidiano

Macri: ‘Para Dilma, será mais fácil comigo do que com Cristina’

Redação DM

Publicado em 10 de novembro de 2015 às 08:45 | Atualizado há 11 anos

BUENOS AIRES – O líder da oposição e candidato à Presidência da Argentina, Mauricio Macri, declarou na terça-feira que, caso seja eleito no segundo turno no próximo dia 22 de novembro, reforçará as relações com o Brasil. Apesar da distância ideológica que o separa do Partido dos Trabalhadores (PT), Macri aposta numa parceria mais próxima, como deixou claro numa entrevista a correspondentes estrangeiros.

— Para (a presidente) Dilma será muito mais fácil chegar a acordos comigo do que foi com Cristina (Kirchner), não tenham dúvidas disso — declarou, reiterando que sua primeira viagem internacional como chefe de Estado será ao Brasil.

A relação com o Brasil é considerada prioritária pelo candidato da oposição, que após obter um resultado que ninguém esperava no primeiro turno (a vantagem do governista Daniel Scioli foi inferior a três pontos percentuais), em 25 de outubro, recebeu o telefonema do senador e ex-candidato presidencial Aécio Neves, que, segundo comentaram fontes da equipe de Macri, “lhe transmitiu os parabéns do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso”.

O Palácio do Planalto não entrou em contato com o atual prefeito portenho, mas semana passada os principais integrantes da equipe internacional de Macri foram convidados para um almoço na embaixada brasileira.

— No Mercosul, temos de conseguir ter um intercâmbio mais livre entre nossos países, sem tantas restrições. Estamos perto de fechar um acordo com a União Europeia, mas a Argentina está demorando a dar sua opinião, não resolvemos questões entre nós mesmos — lamentou.

NOVAS ACUSAÇÕES À VENEZUELA

O candidato da aliança opositora já deixou claro, em conversas informais, que seu desejo é “tirar o Mercosul da paralisia que vive há anos” e avançar em novos acordos, por exemplo, com a Aliança Pacífico (Chile, Colômbia, México e Peru).

— Em caso de vencer, estamos abertos para trabalhar pela aproximação dos dois países, acreditamos que a Argentina terá vocação de diálogo e buscará soluções com o Brasil — disse Fulvio Pompeo, assessor internacional de Macri, que participou do almoço.

Para Macri e seus colaboradores, será fundamental “dialogar, dentro e fora do país, para recompor relações que estão paralisadas há muito tempo”. Ontem, o candidato reiterou suas críticas ao governo do presidente Nicolás Maduro e sua decisão de, caso chegue à Casa Rosada, exigir a aplicação da cláusula democrática do Mercosul para suspender a Venezuela do bloco pelas “constantes violações dos direitos humanos”. Macri também questionou a iniciativa do presidente boliviano, Evo Morales, de impulsionar a reeleição presidencial indefinida.

— Apesar de nossas divergências, queremos ter a melhor relação possível com todos os países — enfatizou o prefeito portenho.

Macri acredita que a Argentina está “às vésperas de uma mudança histórica” e confia em “construir bons vínculos com todos os governos da região”. O candidato não se esquece que, em setembro passado, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou quatro dias em Buenos Aires fazendo campanha para Scioli, discursando até mesmo em cadeia nacional de rádio e TV. Mas está disposto, segundo seus colaboradores, a tentar “recuperar o relacionamento entre Brasil e Argentina, fazendo propostas e debatendo tudo o que for necessário”. A questão venezuelana, disseram seus assessores, certamente gerará discussões, já que o Brasil vem mantendo uma posição de não intervenção no país. Mas a agenda, afirmaram, “é muito mais ampla”.

— Vemos com preocupação e estamos acompanhando de perto o que está acontecendo na Venezuela. Já disse que vou pedir que seja aplicada a cláusula democrática do Mercosul se a Venezuela não liberar os presos políticos — declarou o prefeito portenho.

Faltando menos de duas semanas para o primeiro segundo turno da História da Argentina, o clima é de crescente tensão. O candidato da aliança opositora Mudemos — que segundo pesquisas tem vantagem de oito a dez pontos percentuais sobre Scioli — questionou a campanha do medo lançada pelo kirchnerismo, que o acusa de ter a intenção de acabar com os benefícios sociais conquistados nos últimos 12 anos.

— Quando se perdem as ideias no debate, o que resta é a calúnia — rebateu Macri, lembrando ter sido alvo de ataques semelhantes em 2007, quando elegeu-se prefeito pela primeira vez. — Diziam que éramos um retrocesso, e demonstramos, com fatos, que era tudo mentira.

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