Cotidiano

Maduro desfaz gabinete e promete vetar anistia a presos políticos

Redação DM

Publicado em 9 de dezembro de 2015 às 06:10 | Atualizado há 11 anos

CARACAS – Atordoado por uma derrota acachapante para a oposição nas eleições legislativas, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, pediu nesta terça-feira a renúncia de seus ministros para reestruturar o governo. Em seu programa televisionado, ele disse ainda que fará valer sua luta contra a anistia a presos políticos. Maduro admitiu ainda que a economia seguirá em retração, com inflação de três dígitos.

— Peço a todos do Conselho de Ministros que entreguem seus cargos para que haja um processo de reestruturação, renovação e impulso profundo de todo o governo nacional — disse Maduro em seu programa semanal na TV. — Isto é o que quero: uma agenda para a nova etapa da revolução, de profunda retificação.

Mais cedo, Maduro convocou o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) para uma jornada de “críticas e autocríticas construtivas” para redefinir os rumos da legenda. Ele precisou que o processo interno deverá definir estratégias econômicas e políticas, como medidas contra a burocracia” e a corrupção.

Em defesa de seu modelo econômico, maduro estimou que a economia do país cairá 4% este ano, tendo uma inflação por volta de 100%. No entanto, segundo ele, “o desemprego, a pobreza e a miséria baixaram” — apesar de vários relatórios independentes contrariarem a versão.

Ainda assim, Maduro foi firme ao defender suas posições contra a anistia ao presos políticos.

— Não aceitarei qualquer lei de anistia, porque os presos violaram os direitos humanos. Podem me mandar milhares de leis, mas os assassinos têm que ser punidos e pagarem pelo que fizeram — disse, em relação aos 43 mortos durante protestos no início de 2014, aos quais acusa a oposição de provocar confrontos.

Ele ainda ordenou que não houvesse qualquer ação que pudesse retirar os restos mortais do ex-presidente Hugo Chávez do Palácio Miraflores.

Com a marca histórica dos 112 deputados alcançados na Assembleia Nacional, a oposição da Mesa de Unidade Democrática (MUD) pode se atribuir tarefas como criar ou suprimir comissões permanentes, aprovar e modificar leis orgânicas, submeter a referendo tratados internacionais e projetos de lei, remover magistrados do Supremo Tribunal de Justiça, designar os integrantes do CNE, aprovar projeto de reforma constitucional e até buscar retirar de maneira antecipada o presidente do poder através de um referendo.

— Pedimos ao governo que pare de choramingar e comece a trabalhar. Estamos diante de uma crise de abastecimento de comida em semanas — advertiu o líder da MUD, Jesús Torrealba.

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