Cotidiano

Maioria dos cubanos libertados em degelo com os EUA estão à espera de asilo

Redação DM

Publicado em 8 de janeiro de 2016 às 05:45 | Atualizado há 11 anos

HAVANA – Pouco mais de um ano após a libertação de 53 presos políticos cubanos como parte do anúncio de degelo com os EUA, boa parte dos dissidentes soltos pediu asilo ao país do Norte. Dos libertados, 35 aguardam status de refugiados nos EUA, enquanto outros seis voltaram a ser presos e alguns abandonaram a militância política.

Num comunicado, o Departamento de Estado dos EUA disse que seguirá pedindo a libertação de presos políticos na ilha.

“A embaixada americana está em contato com muitos dos libertados em 2014”, disse o órgão.

Dos dissidentes libertados, cerca de 20 resolveram ficar, por diferentes motivos. Um deles é Wilberto Parada, preso ao protestar em frente à sede da procuradoria federal. Outro, Vladimir Morera, foi preso em maio por suposta agressão.

— Nosso compromisso é com Cuba. Alertamos a nossos membros para que mantenham a luta política — disse José Daniel Ferrer, líder do grupo União Patriótica de Cuba.

Outros, como Carlos Manuel Figueroa Álvarez, foram presos por tentar escapar. O dissidente foi acusado de pular a cerca da embaixada para pedir asilo após ter tido um visto negado em setembro. Já o rapper Ángel Yunier Remón recebeu várias vezes status de perseguido politicamente pelos EUA, mas também não ganhou asilo.

— Nunca pensei em optar por ser refugiado, mas a agressão do governo me fez me sentir um inimigo da minha própria terra.

Muitos dos libertados estão frustrados com os EUA:

— Estava muito grato a Obama por me libertar em janeiro, mas agora estou chateado pelo demora — conta Sandalio Mejías, ainda esperando.

Grupos como a Anistia Internacional pedem que Cuba melhore a condição de direitos humanos, independentes de negociações políticas. Diretora de advocacia da ONG nas Américas, Marselha Gonçalves Margerin cobrou do governo esforços proativos.

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