Cotidiano

Maus tratos e crueldade contra aves

Redação DM

Publicado em 14 de abril de 2016 às 02:26 | Atualizado há 10 anos

A Câmara Municipal aprovou em segunda e última votação na sessão de ontem, projeto do vereador Elias Vaz (PSB) que proíbe a comercialização de produtos derivados de processo de alimentação forçada de animais. A matéria segue agora para sanção ou veto do prefeito Paulo Garcia (PT). O  foie gras, iguaria antiga, trata-se do fígado gorduroso de aves, normalmente de patos e gansos. O problema é o método cruel e doloroso usado na engorda desses animais, em que as aves passam por um processo de alimentação forçada.

Em entrevista a reportagem do Diário da Manhã, o vereador Elias Vaz esclareceu que o projeto estabelece uma série de penalidades aos estabelecimentos que descumprirem as determinações, como multa, apreensão, incineração da mercadoria e até o cancelamento da licença de funcionamento. “O nosso objetivo é impedir a venda de produtos obtidos a partir de métodos cruéis. Não podemos aceitar a comercialização de alimentos oriundos de crime ambiental”, destaca Elias Vaz.

Vaz mencionou que a ideia de criar o projeto foi um pedido da Associação Pela Redução Populacional e Contra o Abandono de Animais (Arpa). “Esse foi um pedido da Arpa Brasil que atua na área de proteção animal. Esse também é um movimento mundial contra esse tipo de alimentação”, observa.

O vereador acrescenta que em Goiânia tem restaurantes que oferecem esse tipo de alimentação. “como é uma comida de padrão internacional. Isso desperta outra reflexão sobre a crueldade animal, a pessoa quando come o ganso nem sempre sabe que está se alimentando com um alimento que é resultado de um ato de crueldade animal”, define.

Para Alexander Noronha, diretor geral e fundador da Arpa Brasil, a proibição em Goiânia é muito importante pois vai fazer com que a população reflita sobre sua relação com os animais. “Tendo conhecimento sobre quão grande e desnecessário sofrimento é imposto aos animais, apenas para satisfazer seu paladar, pode fazer com que o consumidor reveja seus hábitos de consumo indo além do foie grass”, declara.

Alexander ressalta que a missão institucional da Arpa Brasil é ajudar o poder público a criar políticas públicas e leis de bem-estar animal e de proteção ao meio ambiente. “Estamos tendo vitórias positivas, somos afiliada ao Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal (FNPDA) que congrega mais de 100 entidades de proteção dos animais em todo o Brasil. A FNPDA é uma instituição parceira na questão de aprovação de lei na proteção animal. Juntos vamos iniciar uma campanha para que o prefeito Paulo Garcia sancione a lei.

Caso o projeto lei seja aprovado os responsáveis pelos estabelecimentos que descumprirem a lei estarão sujeitos a multa de 5.000 (cinco mil) UVFG – Unidade de Valor Fiscal de Goiânia e interdição do local e o descumprimento da interdição acarretará multa diária, a partir da data da apuração do fato, no valor de 1.000 (Hum mil) UVFG. Hoje no site da Arpa Brasil é possível compartilhar e assinar o abaixo-assinado pedindo para que o prefeito sancione a lei no site www.arpabrasil.com.br.

Entenda o caso

O foie gras é comida chique, servida em diversos Países, mas, especialmente na França. Seu método de preparo é antigo, uma vez que, foi descoberta pelos egípcios. As aves passam por um processo de alimentação forçada. O procedimento utiliza um tubo de metal na garganta do animal, introduzindo a ração ou milho diretamente em seu estômago. Tal método faz o fígado crescer, chegando até dez vezes o tamanho normal.

A engorda dura em média três semanas e o objetivo da superalimentação é desenvolver a Esteatose hepática, doença caracterizada pelo acúmulo de gordura nas células do fígado, também chamada de Infiltração gordurosa do fígado ou doença gordurosa do fígado. Logo o resultado dessa doença é o foie gras.

Mas, como se não bastasse à reação causada no fígado, acarretada pelo homem. Ocorrem ainda as lesões na garganta e esôfago das aves causadas pelo tubo, desencadeando inflamações, infecções e problemas respiratórios levando muitos animais a morte antes do abate.

Para o vereador em pleno Século XXI, é inadmissível que tal prática seja tolerada, visto que, é resultado de maus tratos e crueldade contra as aves. Ele ressalta a importância de colocar o assunto em pauta. “A discussão que a gente faz busca entender como o homem deve estabelecer um relacionamento com os animais. O homem por muito tempo tem se comportado como se ele fosse o centro do universo, em que ele pensa que pode fazer qualquer coisa pelo bem do homem, mas isso hoje tem sido discutido a ideia é de estabelecer um equilíbrio entre a relação do homem com os animais”, adverte.

Vaz conclui que o projeto em estudo não visa intervir no Comércio de da Capital, mas sim, inibir esse cruel crime ambiental. “É um prato caro e elitizado e obtido a partir de muito sacrifício animal. Se homem continuar com essa relação com o meio ambiente estamos caminhando para um colapso. Não vai resolver o problema como um todo, mas aponta um caminho o qual inclui o debate”, conclui.

 

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