MEC vê Goiás como referência na rede pública, mas ainda é preciso melhorar
Redação DM
Publicado em 4 de setembro de 2018 às 02:05 | Atualizado há 8 anos
O Ministério da Educação (MEC) colocou ontem a rede pública de ensino em Goiás como modelo a ser seguido em todo o Brasil. Dados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) no Ensino Médio e Ensino Fundamental II mostram que as metas de crescimento estabelecidas durante a educação básica se destacam da média registrada em outros Estados, mas ainda é necessário ter mais melhoria em relação à qualidade dos conteúdos ministrados em sala de aula. No ensino fundamental I, todavia, houve crescimento modesto.
Para se ter uma ideia, no ensino médio, a nota de 4,3 alcançada passou a projeção do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), que era 4,2. Já no Ensino Fundamental II a média ficou na casa de 5,2, ou seja, 0,4 a mais do que o MEC havia estipulado há dois anos, quando foi realizado o último levantamento e definiu-se o que teria de ser melhorado na educação básica. Por outro lado, no Ensino Fundamental I, Goiás registrou crescimento de apenas um único ponto–Inep informou meta de 5,6, todavia a rede estadual fez 6,6, e está na segunda colocação.
Ex-titular da Seduce, a candidata a vice-governadora Raquel Teixeira (PSDB) pontuou que esta é a segunda vez em menos de uma semana que os índices do MEC colocam Goiás como referência na educação básica–conforme noticiou o Diário da Manhã na última sexta-feira (31). Ela atribuiu “o mérito aos coordenadores, diretores, professores e alunos”, mas reconheceu que ainda é necessário “avançar mais”. “Vocês são responsáveis pelos resultados que mantém Goiás no topo da educação”, destaca Teixeira, durante post em rede social.
O atual secretário de Educação, Cultura e Esporte, Flávio Peixoto, ressaltou que a conquista de figurar no topo de ranking do Ideb “é um momento histórico”. “Há oito anos estamos com a rede consolidada, na vanguarda. Esse resultado comprova que temos uma estrutura muito eficiente. Estrutura que foi montada nos dois últimos governos de Marconi e Zé Eliton, que dá ao Estado de Goiás uma tranquilidade com relação ao seu futuro”, afirmou o secretário, que assumiu a pasta em julho deste ano.
Importante indicador para avaliar a educação no Brasil, o Ideb é calculado a cada dois anos com base obtidos no Censo Escolar e das médias de desempenho no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb). Na semana passada, o MEC havia divulgado os dados do Saeb, e Goiás estava na liderança no quesito aprendizagem. Segundo o indicador, os alunos da rede pública goiana estavam em primeiro lugar em proficiência em Língua Portuguesa e Matemática nas duas primeiras fases do Ensino Fundamental (I e II) e no terceiro lugar no Ensino Médio no País.
DESÂNIMO
O ministro da Educação,Rossieli Soares, disse na manhã de ontem que os cinco Estados do Brasil que registraram recuo no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica evidenciam a mudança estrutural que deve ocorrer no ensino médio. Alvo de críticas por parte de movimentos sociais desde 2016, quando Michel Temer (MDB) sancionou o Projeto de Emenda à Constituição 241 e a Reforma do Ensino Médio (Lei 13415/2017), a modificação na grade curricular como a carga horária do ensino médio será divida.
“Temos um quadro de crescimento nos anos iniciais, especialmente das redes municipais. Tivemos avanços do sexto ao nono ano, mas ainda insuficientes, e uma estagnação do ensino médio, que cada vez mais se distancia da meta. Há uma necessidade muito grande de fazermos logo mudanças estruturantes”, disse o ministro da Educação, Rossieli Soares, destacando a Reforma do Ensino Médio, aprovada no ano passado. “É necessário avançar nessa reforma para trazer este novo ensino médio para o Brasil”, disse o ministro, durante coletiva de imprensa.
Metade dos 1,5 milhão de jovens na faixa etária de 15 a 17 anos que estão fora da escola abandonaram as salas de aula quando ainda estava no ensino fundamental. Os finais ainda carecem de planos ou reformas para tenham o objetivo de trazer melhorias para a educação básicas no Brasil, que é tida como o maior gargalo e onde há maior taxa de desistência.
O governo federal e parte dos especialistas argumentam que a Base Nacional Comum Curricular poderia ser uma estratégia eficiente para trazer melhorias nessa etapa. A base delimita o que os alunos devem aprender na educação básica. Mas movimentos sociais contrários à Reforma do Ensino Médio não a veem com bons olhos. Para eles, a iniciativa de Temer nada mais é que iniciativas de cunho “tecnicistas” cujo objetivo é tornar a educação um laboratório “neoliberal”.