Médica acredita em milagre de Madre Teresa: ‘Não tem como comprovar cientificamente’
Redação DM
Publicado em 18 de dezembro de 2015 às 02:50 | Atualizado há 11 anosSÃO PAULO – A médica-cirurgiã Mônica Mazzurana Benetti, que avaliou o homem que se livrou de oito tumores no cérebro em 2008, por um milagre atribuído à Madre Teresa de Calcutá, garante: não há explicação científica para a cura. Ela participou de uma comissão formada em julho deste ano, com três representantes do Vaticano, em Santos, no litoral paulista, e, em três dias de investigações, constatou apenas duas leves sequelas no paciente.
— Quando pedi para ele andar descalço, na ponta dos pés, percebi um pouquinho de alteração na caminhada, e um desvio no olhar. Mas, se observar o paciente caminhando com calçado, você não percebe. No mais, é absolutamente normal — descreve: — Isso tudo é realmente muito incrível. Não existe, no campo da Medicina, alguma explicação para isso. Ele tem certeza absoluta de que aquilo é um milagre.
Mônica, que é especialista em cirurgia bariátrica, lembra que estava em procedimento cirúrgico quando foi convidada por seu primo, o padre Caetano Rizzi, Vigário Judicial da Diocese de Santos e que foi o promotor de Justiça do processo que reconheceu o milagre, para atuar como perita. Do Vaticano, conta ela, vieram o Monsenhor Robert Sarno, presidente do Tribunal, o padre Brian Kolodiejchuk, postulador da Causa de Canonização de Madre Teresa, e o padre Giancarllo Rizinelli, auxiliar de tradução. Além deles, participou da comissão o médico neurocirurgião Marcus Vinícius Serra.
— Minha função foi perita de “ab inspectionem”, que avalia clinicamente o exame físico do paciente nos dias de hoje — explica Mônica.
Todo o processo foi realizado dentro da diocese de Santos. No primeiro encontro do grupo, todos fizeram orações e pediram inspiração divina para que tudo falado ali fosse o mais real e verdadeiro possível. Depois, descreve Mônica, todos os envolvidos no processo desde 2008, como médicos e enfermeiros, deram seu depoimento. Eles fizeram juramento, sob a mão na bíblia, de que nada seria revelado nesses encontros, inclusive o nome do paciente, até o Vaticano liberar.
— Logo quando cheguei, o monsenhor me pediu para esquecer que sou católica, que minha função era absolutamente científica. A gente se surpreendia com os fatos, mas nossa opinião, como cristãos, não está nas descrições. O que está ali é a constatação de que não tem como comprovar cientificamente o que aconteceu.
As avaliações estão lacradas em três vias. Uma ficou na diocese, a outra foi para o Vaticano e a terceira fica fechada, como cópia, caso alguém queira avaliar alguma coisa. Após os trabalhos, Mônica e o marido, o arquiteto Gustavo Benetti, fizeram um jantar na casa deles para a equipe.
— É algo que vou guardar para o resto da minha vida. Muitas vezes o médico é um pouco mais cético, e quando está diante de uma situação dessa, e vê o poder de Deus, o milagre fica até palpável.