Cotidiano

Menos candidatos, mais ataques

Redação DM

Publicado em 15 de janeiro de 2016 às 00:55 | Atualizado há 11 anos

WASHINGTON. O sexto debate entre os principais pré-candidatos republicanos para as eleições presidenciais americanas de novembro foi marcado por mais ataques que propostas. Embora desta vez estivessem apenas sete candidatos no palco — contra até onze em debates anteriores –, o tempo extra de resposta para cada um foi mais usado para desqualificar adversários e os oponentes do Partido Democrata. O forte embate entre os líderes nas pesquisas republicanas, o bilionário Donald Trump e o senador Ted Cruz foram dos momentos mais quentes do programa, transmitido a partir da Carolina do Sul por duas horas.

O primeiro grande enfrentamento entre os líderes foi sobre o nascimento dos candidatos e seus pais. Trump voltou a levantar a dúvida sobre a constitucionalidade da candidatura de Cruz, que nasceu no Canadá de mãe americana e tem a nacionalidade dos EUA desde o seu nascimento, o que seria a exigência legal. Mas Trump disse que, caso ele seja candidato, teria de enfrentar ações de democratas. Cruz respondeu questionando a nacionalidade de Trump, filho de mãe escocesa. O público presente no estúdio reagia com aplausos e vaias.

O segundo grande enfrentamento foi sobre Nova York. Cruz havia afirmado que Trump trazia consigo “os valores de Nova York”, ou seja, em sua opinião, valores liberais, pró-aborto, pró-casamento gay e de uma sociedade “centrada em dinheiro”.

— Não é um lugar onde você vê muitos conservadores — disse o senador.

Trump reagiu dizendo que este era um dos lugares mais admirados do mundo e que os ataques terroristas de 11 de Setembro de 2001 mostrou que “quando o World Trade Center veio para baixo, vi algo que nenhum lugar na terra poderia ter lidado mais lindamente, com mais humanidade”, rebateu o bilionário.

Desta vez estavam presentes no palco, além de Trump e Cruz, Jeb Bush, ex-governador da Flórida, Ben Carson, neurocirurgião aposentado, Chris Christie, governador de Nova Jersey, John Kasich, governador de Ohio e Marco Rubio, senador pela Flórida. O debate foi transmitido pela Fox Business a partir das 21h (0h no Brasil) e ocorreu 18 dias antes da primeira prévias das eleições que escolhe os candidatos dos partidos, 1o. de fevereiro, em Iowa. No total, o evento durou quase duas horas e meia.

Embora o debate tenha ocorrido em uma emissora de notícias econômicas, os principais temas debatidos foram terrorismo e o controle de armas. Contrários às proposta do presidente de Barack Obama de criar mais controle de armas. Rubio e Cruz disseram que Obama, no fundo, quer “tomar” as armas dos americanos, enquanto Trump disse que, se os parisienses fossem armados, “não teria havido 130 mortes”, nos ataques terroristas de novembro. Todos criticaram o discurso de Obama, que na terça-feira disse que os EUA é o país mais forte do mundo, dizendo que a ameaça terrorista é real e que hoje o país é mais inseguro que no passado.

Temas como imigrantes e críticas ao programa de Obama para a saúde, forte nos primeiros debates republicanos, foram menos importantes no debate desta quinta-feira. Rubio e Cruz se acusaram mutuamente sobre suas propostas de imigração, com Cruz acusando seu colega de Senado:

— Pelo menos a metade das coisas que Marco Rubio disse ou é raso ou é falso — afirmou, após ter sido acusado por Rubio de ser “pouco conservador”, por defender facilidades para imigração de trabalhadores melhor qualificados.

Sobre economia, ataques vagos sobre a China e sua força que “destrói empresas e empregos americanos”, sobretudo de Trump e de Rubio. Rubio criticou a proposta de Cruz de criar um imposto único sobre valor agregado dos produtos e serviços. Trump e Carson defenderam que as companhias americanas voltem aos Estados Unidos.

Se por um lado Chris Christie parecia o mais mediático dos candidatos, medindo suas palavras de impacto, o governador Kasich parecia o único realmente preocupado em apresentar propostas concretas, em especial de economia, como analisar a fundo a Parceia Transpacífica, maior acordo de livre comércio do mundo, com EUA, Japão, Austrália e mais nove países. Carson, que chegou a quase liderar as pesquisas republicanas no fim de 2015, praticamente não apareceu. Bush tentou forçar nas críticas a Hillary Clinton e contra Trump, tentando polemizar com o bilionário sobre sua proposta de banir muçulmanos dos Estados Unidos. Bush disse que esperava que “Trump reconsidera-se” sua proposta, chamando o bilionário de “desequilibrado”. Trump reagiu a seu estilo:

— Nós não podemos ser o país mais estúpido — disse o bilionário, que depois voltou a chamar Bush de “fraco”.

O próximo debate entre os republicanos está marcado para 28 de janeiro, três dias antes das prévias de Iowa. O seguinte está previsto para 6 de fevereiro. Neste domingo ocorrerá um novo debate entre os pré-candidatos democratas: Hillary Clinton, Bernie Sanders e Martin O’Malley.

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