Mianmar vota em primeira eleição livre em 25 anos
Redação DM
Publicado em 8 de novembro de 2015 às 05:50 | Atualizado há 11 anosYANGON – Em um pleito histórico para um país há cinco décadas sob regime militar, Mianmar começou a votar em suas eleições gerais, as primeiras livres em 25 anos. As pesquisas indicam que a legenda da vencedora do Prêmio Nobel da Paz Aung San Suu Kyi tem fortes chances de sair vitoriosa e enfim garantir um Executivo de oposição aos mais de 50 anos de tutela militar.
Suu Kyi votou no início da tarde, sem falar com jornalistas. Vinte e cinco anos antes, a filha de Aung San, herói da independência birmanesa, foi presa ao voltar ao país e vencer em eleições onde fraudes e repressão militar impediram a realização do pleito livre. Um ano depois, foi condecorada com o Nobel da Paz pelos esforços em unificar o país contra as violações à liberdade.
— Se o povo escolher a Liga Nacional pela Democracia (partido de Suu Kyi), não há razão para não aceitar isto — disse o comandante-chefe das Forças Armadas, Min Aung Hlaing.
Apesar das tensões entre grupos nacionalistas, a não concessão de direito a voto para cidadãos da minoria muçulmana Rohingya, não foram registrados episódios de violência no início da votação. Milhares de observadore sinternacionais acompanham a votação por temores de fraude.
Cerca de 30 milhões de eleitores vão às urnas escolher 498 dos 664 integrantes do Parlamento, divididos entre mais de seis mil candidatos representando nada menos que 91 partidos, embora a grande disputa esteja restrita a apenas dois: o Partido da União da Solidariedade e do Desenvolvimento (Pusd), legenda do presidente Thein Sein, e a LND, liderada por Suu Kyi.
Caso a LND, a qual Suu Kyi fundou, vença, ela tecnicamente não pode ser presidente, porque a Constituição veta que cidadãos com filhos estrangeiros sejam empossados. Mas ela já garantiu que ou pressionará pela mudança da lei ou ficará em um cargo simbólico.
Mesmo se saírem derrotados, os militares mantêm uma cota de ao menos 25% dos cargos no Parlamento.