Ministra reforça crítica de corte no Bolsa Família e ganha apoio de tucano
Redação DM
Publicado em 2 de dezembro de 2015 às 10:00 | Atualizado há 11 anosBRASÍLIA – A ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, está na Câmara dos Deputados onde faz uma defesa enfática do Bolsa Família e duras críticas ao corte de R$ 10 bilhões previstos no programa, proposto pelo relator do Orçamento, Ricardo Barros (PP-PR). Na Comissão de Seguridade Social, Campello fez uma apresentação das consequências desse corte e diz que, se aprovado, 23,2 milhões de pessoas ficarão fora do programa de transferência de renda, dos quais 11 milhões de menores de 18 anos e cerca de 8 milhões de miseráveis do país recairiam na pobreza. Sobre o corte, ela disse ainda:
— A cada hora, seis crianças de até cinco anos poderiam apresentar desnutrição crônica e a cada dois minutos uma criança deixaria de frequentar escola – afirmou Tereza Campello. Desde 2012, o número total de famílias beneficiadas se mantém estável em 13,9 milhões. O corte proposta por Barros significa uma redução de 35% da verba orçamentária do programa prevista para 2016, que é de R$ 28,8 bilhões. O relatório do Orçamento começa a ser votado nesta quarta.
A ministra ganhou a adessão do deputado tucano Eduardo Barbosa (PSDB-MG), um atuante defensor de projetos sociais. Ele elogiou a ministra e criticou o corte.
— A ministra mostrou de forma didática e convincente. Ela foi brilhante ao mostrar o impacto desse corte na vida das pessoas mais vulneráveis. Não se pode buscar solução para déficit fiscal atingindo os que mais dependem do Estado. Não podemos abrir mão dessa conquista — disse Eduardo Barbosa.
Ricardo Barros apareceu na comissão e pediu a palavra. Ele criticou a condução do Bolsa Família e disse que a gestão do programa é “crítica”. Barros disse que o corte que propôs tem como base dados da Controladoria Geral da União (CGU) e que não está cortando de quem precisa. O relator afirmou que está fazendo uma “lipoaspiração” no programa e enxugando os excessos.
— Não tenho dúvida de que temos uma gestão crítica no Bolsa Família. Segundo dados da CGU, 61% das famílias visitadas estão enquadradas na renda. Tem família, com pai, mãe e três filhos que têm renda de R$ 2 mil que recebe o Bolsa Família. E mais: R$ 2 bilhões estão parados na conta de beneficiários. Quem precisa não deixa dinheiro na conta. Existem 52 milhões no cadastro único. E não se verifica nada. Há uma tentativa de passar uma posição unilateral para a sociedade. Quer se criar um clima de comoção, que estou tirando de quem precisa. Não é verdade. Tirando, sim, de quem não precisa. Estou propondo um enxugamento, uma lipoaspiração no programa — disse Ricardo Barros, que afirmou que tem sido elogiado nos corredores por sua iniciativa.
— Onde passo, tenho sido elogiado nos corredores. Ascensoristas, motoristas, pessoal da limpeza. Todos me apoiam. Me contam que o vizinho tem o cartão (do Bolsa Família) e sabe que não precisa. O abuso mora ao lado — completou Barros.
Segundo os dados apresentados por Tereza Campello das 23,2 milhões de pessoas atingidas, 9 milhões vivem no Nordeste, 7,4 mlhões no Sudeste, 2,6 milhões no Norte, 2,3 milhões no Sul e 1,7 milhão no Centro-Oeste.