Ministro engrossa coro de críticas à decisão da Executiva do PMDB
Redação DM
Publicado em 16 de dezembro de 2015 às 03:20 | Atualizado há 11 anosBRASÍLIA — O ministro da Saúde, o peemedebista Marcelo Castro, engrossou o coro dos críticos à decisão da Executiva Nacional do PMDB de proibir filiações automáticas de políticos com mandato. Deputado licenciado, Marcelo Castro diz que a decisão reflete a disputa interna no partido, em torno da liderança na Câmara, e classificou como “não saudável” o fato do presidente da legenda, o vice-presidente Michel Temer, ter tomado partido para garantir a destituição de Leonardo Picciani e a indicação de Leonardo Quintão como novo líder.
— O presidente de um partido, de qualquer instituição, deve estar acima das brigas intestinas do partido. É claro que (Michel Temer) tomou (partido), está francamente trabalhando pela liderança do Quintão. Temer é presidente do nosso partido, na Câmara ele tomou um partido. Ele e Eduardo Cunha estão juntos para tirar a liderança do Leonardo Picciani. Isso todo mundo sabe, não é novidade. Não acho saudável, mas cada um se conduz como achar conveniente — disse Marcelo Castro, acrescentando:
— Um presidente de partido, seu primeiro dever, obrigação, é de ser isento e neutro dentro nas disputas internas do partido. Mas não sou eu que vou ensinar o Michel Temer a fazer política, pelo contrário. Ele é quem sabe fazer política muito mais que eu, mas meu ponto de vista é esse.
O ministro disse que a decisão tomada na manhã desta quarta-feira pela executiva é “uma novidade que reflete o momento de crise” que o país enfrenta. Para ele, dará um poder de arbítrio muito grande à Executivo e vai gerar conflito:
— Nunca vi nenhum partido fazer isso, para mim é uma novidade e uma surpresa.
Marcelo Castro não respondeu se irá retornar à Câmara para assumir seu mandato e garantir apoio para que Picciani retorne à liderança. Também quis responder se Michel Temer tomou partido em favor do impeachment da presidente Dilma.
— Não sou adivinho. Se ele está trabalhando pelo impeachment, honestamente eu não sei.
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), também criticou a decisão e responsabilizou Michel Temer pelo que está acontecendo com o partido neste momento. Para a deputada Laura Carneiro (PMDB-RJ), a fala de Renan é dura, mas tenta colocar um freio de arrumação na situação.
— Meu pai, Nelson Carneiro, presidiu o Congresso. Sou afilhada doutor Ulysses. Os dois devem estar rolando no túmulo com essa decisão. É um marco muito ruim na trajetória democrática do PMDB. O Michel não estava na hora, o que me dá esperança de revogar. A fala do Renan é dura, mas é uma tentativa de um freio de arrumação, um limite para as coisas que estão acontecendo internamente no PMDB — disse Laura Carneiro.
O deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), um dos que apoiou o movimento pela troca de líderes na bancada, preferiu não confrontar a fala de Renan. Lúcio Vieira Lima disse que não vê essa fala como declaração de guerra, que Renan é “um grande amigo” e que respeita a fala como um desabafo dele.
— Essa declaração do Renan só tem sentido como desabafo. Foi justamente o fato de doutor Ulysses tremer na cova que pautou essa reunião. Doutor Ulysses primava pela qualidade dos filiados e não pela quantidade — disse Lúcio Vieira Lima.