Moda pais e filhos
Redação DM
Publicado em 20 de agosto de 2016 às 02:44 | Atualizado há 10 anosEspecialistas recomendam cautela na hora da compra e explicam como usar as peças sem que a criança perca sua identidade
O “mini-me” é uma tendência internacional, a proposta é desenvolver a mesma coleção voltada para os adultos em sua versão adaptada para crianças, para que possam se vestir de forma similar. A ideia inicial surgiu para mães e filhas, mas teve tanta aceitação que se estendeu para o universo masculino. No entanto, como explica a consultora de estilo e imagem Maria Júlia Costa, “o ideal é que uma peça tenha referências na outra, e não que sejam iguais. As crianças precisam se vestir como tal, nem sempre uma roupa de adulto será usual para uma criança”, afirma.
É o que também pensa a diretora executiva da Jean Darrot, Lorena Darrot, marca que também tem peças infantis inspiradas nos modelos adultos. No entanto, ela pondera que tanto as estampas quanto os dizeres das peças, nesses casos, não podem ser agressivos, e ambos têm de estar compatíveis com o universo da criança. “Algumas mães chegam a nos ligar para saber o que quer dizer a frase de uma camiseta, por exemplo. Então, tudo é estudado antes”. Fora isso, o conforto das peças, dos tecidos e os detalhes, como os aviamentos, são levados em conta na hora de planejar o que será desenvolvido para essa linha de produtos. “São peças feitas para criança, com cara de criança e conforto em primeiro lugar”, completa.
Lorena explica que a ideia também surgiu por conta da filha, que adora ficar parecida com ela. “Então refletimos, por que não criar peças infantis para que, desde pequenos, eles se acostumem com a marca, com o estilo da loja”, avalia. Ela lembra que o estilo também é tendência das grandes marcas, como Dolce & Gabbana, Armani e outras.
De acordo com Maria Júlia, a moda é o reflexo do comportamento humano, sendo assim, nada mais natural do que o filho querer de certa forma se assemelhar à identidade dos pais. No entanto é preciso respeitar o estilo de cada um, e não tornar seu filho um miniadulto. “Nem todas as roupas devem ser iguais, tenha cuidado na hora da escolha, tipo de estampa, recorte. Fique atento, uma roupa muito decotada nunca deve ser usada em uma criança, bem como figuras como caveiras e outros”, avalia.
Outra dica da especialista é não se deixar levar na hora da compra. “Não compensa para a mãe ou o pai adquirir um par de peças usando essa tendência que seja muito caro. Digo isso porque ele/ela vão usar pouquíssimas vezes, ainda mais se for homem, que não tem costume de ter várias peças. Compre aquelas que realmente poderá usar depois separadamente sem que fique estranho. Deixe as compras de peças caras para roupas mais coringas, que caibam em várias ocasiões”, ressalta.
Os pais também aderiram
O militar André Luiz do Carmo e o filho de sete anos, Guilherme Costa, têm cerca de quatro pares de roupas na tendência “mine-me”. Para o pai, é um orgulho ver que o filho gosta e até pede para usar roupas iguais ou similares às dele. “Desde sempre fazemos isso, usamos as camisetas do nosso time de futebol, e agora que tem as roupas, ele mesmo pede para comprar. Já teve vezes em que eu ou a mãe dele compramos esporadicamente também. Como não é sempre que usamos as peças ele não perde sua identidade própria, acho que é uma atitude saudável sim”, avalia o pai.
Segundo a psicóloga Gabriela Morais, existe muito mais por trás da tendência “mine-me”. “Todo filho tem o pai como espelho, como referência, e reforçar isso é supersaudável. Além de fortalecer um elo entre os dois, ajudar a criança a construir o homem que vem por aí. É como se fosse um modelo da masculinidade. E para o pai é uma realização perceber no filho sua miniatura. É o seu homenzinho”.
A psicóloga conta que adora vestir o filho com roupas que lembrem a do pai e até do avô. “Ele adora, fica muito orgulhoso. E eu acho o máximo. Tem um fundamento delicioso nessa tendência. Estou grávida de uma menina e já ganhei peças para mim e para ela. Não vejo a hora de usar”, conta.