Cotidiano

MPL falta à reunião para discutir protestos em São Paulo

Redação DM

Publicado em 14 de janeiro de 2016 às 00:50 | Atualizado há 11 anos

SÃO PAULO – O Movimento Passe Livre ( MPL) não compareceu a uma reunião convocada na manhã desta quinta-feira para dialogar com a Secretaria da Segurança Pública e com o Ministério Público sobre a organização de protestos em São Paulo. Hoje, a partir das 17h, a organização promoverá dois atos na cidade, um no centro e outro na Zona Oeste. À tarde, o movimento anunciou que pretende divulgar os trajetos antes do início das manifestações e que aceitaria dialogar com a polícia nas concentrações dos protestos.

A reunião, marcada para as 10h, seria para debater o “exercício do direito de livre manifestação e o direito à livre circulação nas vias públicas”. O secretário da Segurança Pública de São Paulo, Alexandre de Moraes, lamentou ausência do grupo ao encontro. Ele disse que será a Polícia Militar quem definirá o trajeto das marchas desta quinta-feira.

— O MPL não comparecer mostra atitude anti-democrática de se negar ao diálogo. Vamos seguir cumprindo a Constituição – disse Moraes, numa referência ao artigo 5º da Constituição, que determina o aviso prévio às autoridades sobre manifestações.

Segundo Moraes, caso o movimento não comunique nas próximas horas qual o trajeto dos protestos desta quinta-feira, a área será delimitada pela Secretaria da Segurança Pública. O secretário disse que ouviu rumores de que o MPL planeja alterar locais de concentração e horário das manifestações desta quinta.

Moraes voltou a defender a ação na PM no ato da última terça-feira, quando os policiais utilizaram bombas para evitar que os manifestantes marchassem pela avenida Rebouças.

O uso de bombas, diz Moraes, é “preferível para dispersar do que o corpo a corpo, em que pode haver embate físico”.

Moraes declarou que só os protestos do MPL terminam em confusão e acusa o movimento de ser condescendente com Black Blocs.

– Eles (MPL) não querem se manifestar, querem causar baderna e prejudicar 10 milhões de pessoas em São Paulo – diz o secretário de Segurança Pública.

O procurador-geral de Justiça do Estado de São Paulo, Márcio Fernando Elias Rosa, disse que qualquer tipo de abuso é impraticável e fez apelo para que representantes do MPL compareçam à nova reunião, marcada para a próxima segunda-feira.

– Tem que existir convivência equilibrada dos direitos – afirmou.

O secretário de Governo da prefeitura de São Paulo, Francisco Macena, também defendeu a necessidade de trajeto prévio de manifestação.

– A cidade convive toda semana com manifestação, até na porta da prefeitura. O que pedimos é o mínimo de previsibilidade para não prejudicar a população – defendeu Macena.

O MPL alegou que não foi à reunião porque não vê caminhos para negociar com a polícia diante da repressão do ato de terça-feira. Também disse que cabe ao movimento escolher o trajeto dos atos.

– Como o Passe Livre que está chamando o ato, a gente que decidiu o trajeto. E vendo toda a repressão da polícia anteontem, a gente não consegue enxergar muitos horizontes de negociação – disse Luíze Tavares, representante do MPL.

O movimento anunciou que divulgará o trajeto dos atos desta quinta-feira antes do começo das manifestações.

– A gente está propondo negociar o trajeto com a polícia uma hora antes dos protestos, na concentração. Podemos negociar alguma rua e esperamos que a polícia não esteja irredutível.

ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA

Há ainda duas pessoas detidas após os protestos de terça-feira. Elas foram detidas com explosivos.

Ainda segundo o secretário Alexandre de Moraes, desde 2013, alguns manifestantes também passaram a ser investigados por organização criminosa.

– A legislação brasileira não prevê tipos criminais específicos para vandalização em manifestações públicas. E nos crimes que eles são tipificados (dano ao patrimônio, desacato) há possibilidade de liberdade provisória durante as investigações – afirmou Moraes.

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