Mudança no processo da CNH afeta autoescolas e eleva custos para alunos
Gabriel Maia - Estágio DM
Publicado em 2 de dezembro de 2025 às 11:39 | Atualizado há 8 meses
Alunos enfrentam taxas mais altas e autoescolas registram queda de matrículas após mudanças no processo de habilitação |Foto: Paulo H. Carvalho
A recente mudança no processo para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), que deixa de exigir a obrigatoriedade das aulas nos Centros de Formação de Condutores (CFCs), já provoca impactos negativos para as empresas de autoescolas. Entre os efeitos estão a diminuição na procura por matrículas, queda no faturamento, pedidos de reembolso, demissões e aumento da inadimplência.
Um estudo divulgado pela Associação Brasileira das Autoescolas (ABRAUTO) apontou queda generalizada no faturamento do setor nos últimos dois meses de 2025, causada pela baixa procura por matrículas. Segundo o relatório, a crise teve início após declarações do ministro dos Transportes, Renan Filho, sobre mudanças no processo de habilitação e a possível descontinuação das autoescolas, que repercutiram em todo o país.
A ABRAUTO alerta que é urgente oferecer apoio econômico e institucional para evitar o fechamento da maior parte das unidades. O levantamento mostra que 45,3% das autoescolas registraram redução superior a 70% na procura por matrículas. Entre as empresas, 37% tiveram queda entre 51% e 70% e 17,7% registraram redução de até 50%. O impacto direto foi a queda brusca no faturamento e a dificuldade para manter as operações.
O estudo aponta ainda que 27,7% das autoescolas tiveram redução superior a 80% na receita e 43,6% perderam entre 41% e 60%. Apenas 2,6% conseguiram limitar a queda a menos de 20%. O aumento nos pedidos de devolução de matrículas também foi significativo. Em muitos casos, as devoluções chegaram a 20% e, em situações mais graves, ultrapassaram 60%, comprometendo o pagamento de despesas básicas. Mais de 63% das empresas informam ter inadimplência em até metade das despesas, e 12,7% relatam atraso em mais de 70% dos compromissos financeiros.
Empresários comentam impactos em Goiânia
Proprietários de autoescolas de Goiânia ouvidos pela reportagem do DM Online afirmam que, mesmo com a queda no movimento, o impacto diário foi menor devido à clientela fidelizada. Eles destacam que muitos candidatos acreditaram que a CNH poderia se tornar gratuita, o que não corresponde à realidade. “Quem não sabe dirigir continua procurando a autoescola por segurança enquanto informações incorretas circulam nas mídias sobre a possibilidade de qualquer pessoa ensinar candidatos a dirigir. Na prática, apenas profissionais credenciados pelo Detran podem ministrar aulas”, afirmam os proprietários.
Especialistas também destacam preocupações com a segurança no trânsito. Aulas em carros comuns sem dupla segurança ou monitoramento profissional podem aumentar o risco de acidentes. “A instrução com pedais de segurança realizada por profissionais experientes é capaz de prevenir incidentes graves tanto para o aluno quanto para terceiros”, destacam os instrutores ouvidos.
Taxas do Detran elevam custo do processo
Além das mudanças no processo, outro ponto que preocupa os proprietários das autoescolas são as taxas do Detran, consideradas altas e crescentes ao longo dos anos. A taxa de iniciação atualmente chega a R$ 720, enquanto a licença de aprendizagem necessária para comprovar que o aluno pode dirigir com instrutor custa R$ 554,92. Essa licença já é monitorada por câmeras e plataformas digitais, o que torna questionável o valor cobrado.
A CNH digital, que antes era fornecida sem custo adicional, agora cobra R$ 14,60. Além disso, o valor do papel da CNH varia de forma inexplicável: R$ 243 para a habilitação de carro e R$ 554,92 para carro e moto, mesmo sendo o mesmo tipo de papel. Profissionais do setor alertam que essas taxas aumentam todos os anos sem que haja melhorias nos serviços oferecidos, o que encarece ainda mais o processo de obtenção da habilitação.