Na Alemanha, Lula ataca Cunha
Redação DM
Publicado em 9 de dezembro de 2015 às 04:30 | Atualizado há 11 anosSÃO PAULO — O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu a sua versão para a crise política do Brasil e o processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff ao discursar nesta quarta-feira na Conferência Internacional do Congresso do Partido Social-Democrata Alemão (SPD), em Berlim. Para o petista, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), cometeu uma afronta ao colocar em votação a eleição da composição da comissão que vai analisar o pedido de afastamento de Dilma.
— O presidente da Câmara, numa afronta jamais vista no país, não aceitou a lista apresentada pelos partidos e apresentou uma outra lista — disse Lula.
O ex-presidente acrescentou que o processo de impeachment foi aberto “por vingança” do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), porque o PT não o protegeu da abertura de um processo no Conselho de Ética.
Ao iniciar o seu discurso, Lula disse que iria “falar um pouquinho sobre o Brasil para vocês saberem que nem tudo é fácil, nem tudo é alegria e nem tudo é tranquilo no meu país”.
— Estamos passando por num momento político bastante delicado. Temos crise política, temos crise econômica e temos uma crise de denuncia de corrupção que há um ano está permeando o noticiário — acrescentou o ex-presidente, se referindo à Operação Lava-Jato, classificada por ele também como “denúncia de corrupção muito séria” .
Assim como já havia declarado no Brasil nos últimos dias, Lula classificou o impeachment como “golpe”, defendeu a presidente e acusou a oposição de continuar fazendo campanha mesmo depois da derrota na eleição do ano passado.
— É uma tentativa de golpe explícito contra a presidente Dilma e o Brasil — afirmou Lula.
O ex-presidente ainda anunciou que irá às ruas para defender Dilma e exaltou a conduta de sua sucessora.
— Não existe uma acusação contra a presidente Dilma. Duvido que tenha um brasileiro que sequer pense que a presidente é desonesta.
Ainda nas palavras de Lula, o impeachment é uma “aventura dos que não se conformam com a derrota eleitoral” e o que está “acontecendo no Brasil é uma anomalia”.