“Não dê esmolas”, recomenda o major Sandro
Redação DM
Publicado em 4 de agosto de 2016 às 03:06 | Atualizado há 10 anosPara o major Sandro, os usuários de drogas que moram nas ruas precisam de tratamento médico
No início de fevereiro, a Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas) de Goiânia divulgou um estudo que revelou que na Capital existem 351 pessoas em situação de rua. Desse total, 46,4% estão na região Central. Contudo, ONGs e instituições sociais afirmam que esse número é bem maior.
Basta dar uma pequena volta no Setor Central de Goiânia para reconhecer que no local há uma grande presença de moradores de rua. Conforme o major Sandro Cardoso, comandante da 37ª CIPM, o número de pessoas em situação de rua em Goiânia é expressivo. “A maioria fica na Avenida Independência, mas eles são espalhados por todo o centro. Porém, vale ressalta que não temos na nossa cidade uma Cracolândia”, afirma o major.
De acordo com ele, o número de homicídios, furtos e roubos vem caindo na região, uma vez que a Polícia Militar, por meio da exigência da Secretaria Estadual de Segurança Pública, aumentou as abordagens e intensificou o trabalho com moradores de rua do local. “É muito grande o número de armas brancas que tiramos nas mãos deles quando realizamos as abordagens. Eles precisam de tratamento médico, precisam de um tratamento adequado para a recuperação deles”, pontua.
Para o comandante é importante que a população evite dar esmolas aos moradores de rua. Ele acredita que quando o dinheiro deles acabam, essas pessoas são estimuladas para a criminalidade, assim garantindo o recurso da compra da droga.
“Atualmente, o Centro de Referência e Excelência em Dependência Química (Credeq) é a melhor opção para a realidade do centro de Goiânia. É preciso ser feito um trabalho a quatro mãos, o Credeq, a Secretaria Estadual da Saúde, a Secretaria de Segurança Pública, mais a prefeitura. O Credeq é uma estrutura de primeiro mundo e é isso que os moradores de rua do centro precisam”, defende.
A publicitária Karoline Santos, 22 anos, mora há sete anos no centro da Capital. Ela afirma que sua casa já foi furtada duas vezes. “Todas às vezes, deduzimos que eram moradores de rua que entraram, por informações dos vizinhos e as coisas de baixo valor que levaram. Embora já tivéssemos passado por essas ocasiões, eu não tenho medo do centro. Tá sendo construído um imaginário coletivo de medo e pânico. Eu amo o centro, adoro andar por ele a pé. Mas também não facilito. Não costumo andar a pé com celular ou pertences à vista”, ressalta.
Entretanto, ela afirma que não se sente ameaçada por aqueles que vivem em situação de rua. “Os moradores de rua são o resultado de um sistema excludente. Eles devem ser mais que ajudados, devem ter políticas públicas voltadas para esse grupo tão marginalizado e invisibilizado da sociedade”, avalia.
Karoline afirma que ajuda alguns moradores de rua. “Eu não acho errado dar dinheiro pra morador de rua que pede no sinal. Isso é transferência de renda direta”, justifica.