No seio das convenções sociais
Redação DM
Publicado em 18 de janeiro de 2016 às 21:09 | Atualizado há 1 ano
A palavra ‘topless’ vem do inglês e significa “sem a parte de cima”. É usada pra denominar situações onde as mulheres exibem os seios em público. Há 16 anos a prática foi liberada nas praias do Rio de Janeiro. Mesmo assim o topless ainda enfrenta resistências conservadoras. A prática está bastante associada ao bronzeamento do corpo na parte coberta pelo biquini. A atitude também pode representar situação de protesto – pelo estranhamento que causa e pela atenção que chama – ou simples lazer. O hábito é bastante comum nas praias europeias. No Brasil, mesmo com a lei, ainda causa estranhamento.

Existe um clichê mundial que dita que o Brasil é uma terra que proporciona liberdade de comportamento aos seus habitantes, e que as mulheres, talvez por conta da fama mundial do carnaval, tem o costume de exibir o corpo naturalmente. Apesar da fama, seios femininos ainda causam bastante polêmica, reações hostís e abuso (físico e verbal). A questão da legalidade do topless foi bastante discutida no Brasil no ano 2000. A cidade do Rio de Janeiro, que abriga praias famosas e bastante frequentadas por turistas protagonizou a discussão.

Na ocasião, ficou determinado que a Polícia Militar não deveria intervir em casos de topless nas praias da cidade. O registro pode ser encontrado em matéria do jornal Folha de São Paulo de 18 de janeiro de 2000, que narra os motivos defendidos pelo então prefeito do Rio no caso topless. “O prefeito do Rio, Luiz Paulo Conde (PFL), aprova o topless nas praias cariocas. Para ele, a cidade que inventou o fio dental e projetou Leila Diniz não pode reprimir o não-uso do sutiã”. Vale lembrar que a liberdade dos homens de não cobrir a parte de cima do corpo é vetada em poucas situações, e não é vista com estranhamento em praias.
É válido lembrar que o costume de não esconder os seios está presente em várias sociedades tradicionais do mundo. Um exemplo é a sociedade indígena himba, que habita o norte da Namíbia. O padrão aceito por esse povo é de que as mulheres não cumbram os seios. A raiz do costume é tão firme que não existe problematização interna em torno de tal condição. A prática também se extende a várias outras sociedades tradicionais espalhadas pelo continente africano. No continente sul-americano, a nudez dos seios causou espanto às sociedades européias colonizadoras, e está regristrada em várias pinturas.
A presença de temas tabu em séries norte-americanas e européias vem sendo usadas como um termômetro de aceitação pública de comportamento, tendo em vista a grande adesão à tal indústria por grande parte da sociedade ocidental. O topless e a nudez em séries são bastante associados à busca por audiência através do apelo sensual, apesar de também refletirem o nível de tolerância da sociedade, tendo em vista que exageros podem provocar evasão do público e comprometer patrocínios. No Brasil, uma cena de topless exibida na telenovela Cobras & Lagartos, da Rede Globo, em 2006 provocou reações negativas devido ao horário de exibição da novela, a faixa das 19h.
A emissora exibiu os seios de duas modelos vestidas só de calcinha. Na época, o Ministério da Justiça chegou a notificar e processar a emissora por exebir conteúdo impróprio para o horário. A audiência da novela, por outro lado, terminou bem acima do esperado. A cena foi excluída das reprises vespertinas do quadro ‘Vale a pena ver de novo’. A exibição de seios é mais frequente em programas exibidos após as 22h. Produções clássicas da teledramaturgia da extinta Rede Machete, como ‘Pantanal’ e ‘Xica da Silva’ utilizavam do topless com frequência.

Manifestações
A nudez ativista é bastante comum nos Estados Unidos e na Europa, por ser uma prática que nunca passaria despercebida pela sociedade. O objetivo é chamar a atenção da mídia e da opinião pública, pois a nudez e o moralismo envolvidos sempre causam polêmica. As causas que motivam os cidadãos a tirar a roupa vão além do direito de poder andar em público sem roupa. É muito utilizada pela PETA, que visa proteção dos animais. Em Goiânia, situações de topless chamaram a atenção na Marcha das Vadias, que pregava a emancipação do corpo feminino com frases como “o corpo é meu, uso como quiser”. As fotos do ato circularam no Facebook, gerando grande repercussão.
