Cotidiano

Novos Tempos Exigem um Novo Engenheiro

Redação DM

Publicado em 1 de março de 2021 às 17:51 | Atualizado há 5 anos


Por: André Luiz Rodrigues da Silveira

Dia desses, assisti a um debate promovido pelo CREA, intitulado “Novas Diretrizes Curriculares para o Ensino de Engenharia”, cujo preletor era o eng. civil Vanderli Fava de Oliveira, que foi professor da UFJF e hoje é presidente da Associação Brasileira de Educação em Engenharia – ABENGE. Dados os devidos créditos, gostaria de ressaltar alguns pontos que considero primordiais nesta temática.

A industrialização trouxe consigo novos desafios. Maior concentração de pessoas em grandes centros urbanos, maior demanda por alimentos, e uma pressão por uma produção que leve em conta o componente ambiental, mercado globalizado. Além disso, trouxe também novas relações de trabalho, aumento no número de pragas e doenças, discussões geopolíticas que interferem em mercados ao redor do mundo, mudanças climáticas e novas tecnologias.

Veja que os desafios são imensos para profissionais que lidam diretamente com esses componentes. Portanto, segundo o professor Vanderli, o engenheiro que almeja sucesso nesse mercado deve ter características que o instrumentalizem a lidar com estas situações. Uma visão holística, estar apto a pesquisar, antenado às novas tecnologias, empreendedorismo, adotar uma perspectiva transdisciplinar e multidisciplinar, considerar questões geopolíticas, socioculturais, ambientais e atuar com isenção e responsabilidade social para o desenvolvimento sustentável.

Essas considerações nos dão pistas de como deve ser o perfil do egresso dos cursos de engenharia. Veja que não é mais possível termos profissionais hábeis em projetar e construir, sem a sensibilidade social e ambiental exigidas para cada situação. Para isso, é preciso alterar o método de ensino direcionando o foco e sair do conteúdo isolado para a formação de competências que exigem saber o que fazer com o que está fazendo. Ademais, discutir variáveis que levem em consideração aspectos socioambientais em seus projetos e estar disposto a trabalhar em equipes multidisciplinares que deem conta de problemas cada vez mais complexos.

Para tanto, é preciso que se mude a forma de ensino nas Instituições de Ensino Superior (IES) país afora. Como isso é possível? Não é preciso investir em grandes transformações físicas e de pessoal, é preciso uma mudança de mentalidade. Utilização de metodologias ativas que já vêm sendo praticadas pontualmente, tirando o aluno da passividade e o tornando um dos protagonistas do ensino; a mudança de concepção em ambientes como a sala de aula, utilizando o conceito de ambientes de aprendizagens; valorização e formação continuada de docentes que precisam estar em constante renovação de conceitos e tecnologias, com destaque para uma formação pedagógica, visto que a maioria dos professores das engenharias não tem essa habilidade adquirida na academia; maior interação com empresas, pois vão ser a interface entre a pesquisa e a extensão; alteração dos trabalhos de conclusão de curso para projeto de conclusão de curso, isto trará um ganho expressivo para a vida do futuro profissional, pois o projeto já o trará desafios reais e com possibilidades de aplicação; acompanhamento de egressos, veja que para a IES é primordial saber e entender como seu egresso se coloca no mercado de trabalho, pois isso pode dar condições para melhorar as metodologias de ensino.

Como visto, os desafios são muitos. Não vejo como empecilho, apesar de haver resistência, mas, afinal, a necessidade de adaptação vai filtrar os profissionais, as IESs e os professores. Isso me faz lembrar do conceito da palavra aluno, do latim alumnus, entendido aqui como “afilhado” e o professor é o responsável por nutrí-lo com conhecimento. Nesse novo formato, é preciso notar que o estudante tem conhecimento e ao professor cabe a tarefa de coordenar a busca pelo saber visando à formação deste cidadão.


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