Cotidiano

O coração viking do guitarrista Luís Maldonalle

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Publicado em 23 de agosto de 2021 às 18:37 | Atualizado há 1 ano

O guitarrista Luís Maldonalle é um motor de escalas, power chords e ritmos. Conhecido no cenário nacional por seu virtuosismo, ele tem militado no cenário rock, pop e instrumental com habilidade e longevidade.

Em Goiás, desde final da década de 80, teve incursões no metal (banda Black Rain, Bela Utopia), pop (Laia Vunje) e rock instrumental.

O novo CD “Viking Heart” é um torpedo nos ouvidos, com referências que abrangem desde o neo-clássico até as linguagens mais enérgicas do rock, principalmente nas estruturas harmônicas e distorcidas. É aqui que sobressai a principal escola de Luís: o heavy metal. O guitarrista goiano deixa claro suas referências, principalmente a turma shred (adj. destruir), que explodiu no cenário musical nos anos 1980 inspirada no rock progressivo, metal e música clássica.

Luís Maldonalle, todavia, foge da emulação de estilos e virtuoses estabelecidos. Afinal, ouviu todos desbravadores. Tem hoje sua própria linguagem. As faixas trazem sua ‘coloratura’, seu afeto por uma estética que comunica – dentre outras coisas – vigor, bravura, coragem, determinação, lealdade e convicções. É um estilo mais romântico, no sentido de avançar a velocidade de interpretação e trazer valores nacionais e de um povo – afinal, o coração viking é uma referência ao povo nórdico medieval e que também influenciou Luís Maldonalle.

 

Os guitarristas neo-clássicos se inspiram no barroco, mas sem religiosidade e reverência ao formalismo ditado por J.S Bach, Telemann, Marcello e Purcell. Ao nascerem dentro do núcleo temporal do heavy metal, tais guitarristas oitentistas neo-clássicos deslocaram a emoção do barroco para o romanstismo, que é bravo, apaixonado e exagerado. E mais virtuoso, já que vai contra o padrão aritmético do clássico.

É neste contexto que se deve ouvir Maldonalle, no século 21. A faixa título “Viking Heart” tem início com uma frase que se repete em variações, desafiante, consonante e adequada a atmosfera melódica do disco. Através dela nossos ouvidos buscam referências, apreendem desafios, evoluem com a prática auditiva.

“The Last Ship” é recheado de escalas descendentes menores e arpejos velozes, com frases que se resolvem em variações. As semifusas estão em toda parte.

O ritmo é mais simples, tribal, binário. As músicas em geral fazem referências ao formalismo erudito, caso de suíte, sonata e réquiem.

O resultado final é um produto bem acabado, feito com inspiração, competência, dedicação e bravura por enfrentar o mar na correnteza. Luís gravou e programou os demais instrumentos, com apoio do produtor Lucas Arbalest.

 


		O coração viking do guitarrista Luís Maldonalle

Novo trabalho de Luís Maldonalle, um dos melhores ‘shreds’ do Brasil, saiu em todas plataformas e mídia física

A obra está nos mesmos mares ( caso do Spotify, youtube, etc) acessados por tubarões como Justin Bieber, Anitta e Billie Eilish. O mundo se comprime para ouvir o ‘mainstream’. Mais do mesmo. Isso não significa que tais músicos sejam ruins. Mas longe do ramerrão, Luis Maldonale abre nossos ouvidos, desintoxica nossos cérebros e nos inspira a sermos melhores do que somos. Ele nos desafia.

O novo álbum tem a chancela do selo Tree House Records, da Inglaterra. A arte assinada por Alcides Burn (Taurus, Korzus, Revolta e outros) remete aos cenários de quadrinhos, cinema e, na atualidade, games e séries como “Uncharted” e “God of War”.

Em resumo: ouça antes que você se afogue no mar ouvindo “Baby”, de Bieber, sendo tragado pelo redemoinho das águas. Deixe o viking salvá-lo!

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