Cotidiano

O fantasma do desemprego

Redação DM

Publicado em 20 de julho de 2016 às 03:21 | Atualizado há 1 ano

Na década de 1980, o general João Baptista Figueiredo lançou o programa “Plante que o João Garante”, buscando modernizar a agricultura. Os brasileiros, cansados da ditadura, pichavam nos muros próximos às agências do Banco do Brasil: “Planta pouco que o homem é louco”. O presidente interino-usurpador lançou recentemente o slogan “Não pense em crise, trabalhe”. Logo depois participou de uma cerimônia na sede da CNI (Confederação das Indústrias), em Brasília, onde o presidente da entidade, Rodson Braga de Andrade, apresentou proposta para passar a jornada de trabalho de 44 horas semanais para 80 horas, o que equivale a um trabalho diário – de domingo a domingo – de 12 horas por dia.

Talvez muitos brasileiros ainda tenham na memória os anos da ditadura e rejeitem o otimismo e o pacote proposto por Temer e seus aliados. Pesquisa da própria CNI, realizada pelo instituto Ibope, mostra que  Índice de Medo do Desemprego chegou, em junho de 2016, ao maior valor da sua série histórica, iniciada em março de 1999. O maior valor da série, até então, havia sido verificado em maio de 1999, em meio à crise de desvalorização do real. O Índice de Medo do Desemprego apresentou crescimento de 1,9% em junho de 2016, quando comparado com março. Em relação a junho de 2015, o índice apresentou crescimento de 4,2%. Ou seja, o medo dos brasileiros em perder o emprego aumentou assim que Temer e sua turma tomaram o poder.

Quando a pesquisa pergunta aos brasileiros qual é o índice de satisfação com a vida, o resultado é semelhante, com uma queda de 2,6% em relação ao índice registrado em junho de 2015. Ou seja, o brasileiro tem mais temor em relação ao desemprego e está mais insatisfeito com a vida.  O Medo do Desemprego e Satisfação com a Vida é elaborado pela Confederação Nacional da Indústria a partir de pesquisa de opinião pública de abrangência nacional conduzida pelo Ibope Inteligência. A amostra foi coletada entre 24 a 27 de junho de 2016. Foram entrevistados 2.002 pessoas em 141 municípios.

A pesquisa Datafolha também trouxe dados parecidos com a da CNI/Ibope, revelando que 60% dos brasileiros acham que a inflação vai aumentar, que um índice igual acha que o desemprego vai subir mas, paradoxalmente, só 30% acham que a situação econômica do País vai piorar, enquanto 38% dizem que vai melhorar. Para o jornalista Fernando Brito, do site Tijolaço, esta seria uma incoerência que caberia ao próprio Datafolha responder como as pessoas temem ficar sem emprego, mas acham que tudo vai melhorar. É a economia corrigindo o Tiririca: pior do que está, fica.

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