Cotidiano

Obama avança em reforma judicial e comuta sentença de 95 presos

Redação DM

Publicado em 18 de dezembro de 2015 às 04:10 | Atualizado há 11 anos

WASHINGTON — Em sua tradicional última coletiva de imprensa anual, o presidente americano, Barack Obama, apresentou seus planos para o último ano no cargo e anunciou uma histórica comutação da pena de quase cem prisioneiros, como parte de sua reforma judicial. Ele declarou ainda ter confiança na erradicação do Estado Islâmico e no fechamento da prisão de Guantánamo.

Em seu primeiro anúncio, Obama disse que comutou as sentenças de 95 presos federais e perdoou dois. Quarenta deles estavam sob prisão perpétua. O número é maior do que todas as comutações dos últimos quatro presidentes somados.

O presidente vinha prometendo reduções e comutações de penas para pessoas condenadas por narcotráfico e outros crimes não violentos que vêm lotando o sistema carcerário e “merecem uma segunda chance”, em suas palavras.

“Estou garantindo sua demanda porque você demonstrou o potencial de mudar sua vida. Agora é você quem tem que mostrar o que é capaz de fazer para garantir esta oportunidade”, escreveu para cada um dos que tiveram a suspensão da sentença garantida, após uma análise de que eles não são perigosos. “O caminho à frente não será fácil, mas saiba que você tem a capacidade de fazer boas escolhas.”

Dezenas de milhares de presos têm apelado a Obama para que reverta suas penas. Ele tem pressionado o Congresso a aprovar leis para desinchar o sistema carcerário e valorizar oportunidades econômicas para grupos socioeconômicos e étnicos menos valorizados, como negros e latinos.

— Demoramos 20 anos para chegar neste ponto de revisão carcerária, não joguemos isso fora.

BOM HUMOR E MENSAGEM A ASSAD

Ao chegar, Obama brincou dizendo que a esperada coletiva “não é o evento mais esperado” do dia na Casa Branca.

— Teremos uma sessão de estreia do novo “Star Wars” aqui — disse, fazendo os jornalistas caírem no riso.

Obama elogiou algumas de suas brigas de sucesso neste ano, como a revisão climática contra emissões de gases fósseis, aprovação federal do casamento homoafetivo e a universalização do sistema de saúde público.

Um dos temas mais importantes de 2015, o terrorismo foi lembrado pelo presidente. Ele prometeu combater o Estado Islâmico não só militarmente, mas domesticamente.

— Nenhum governo tem capacidade de ler tudo o que pessoas escrevem. Nosso desafio sobre o Estado Islâmico hoje é que não são mais células, mas pessoas influenciadas pela propaganda nas redes sociais. O EI tenta se infiltrar com quem foi para a Síria. Precisamos eliminar a lógica de terra sem lei — disse ele, que ainda prometeu mais esforços para impedir assassinatos em massa e ataques armados espontâneos.

O presidente reforçou seu pedido pelo fechamento da base naval na região cubana de Guantánamo: — Não acredito que uma lei passe no Congresso, mas podemos argumentar que a prisão segue sendo um dos maiores ímãs de recrutamento jihadista. E custa milhões.

Obama destacou ainda que o caso da Síria mostrou que a permanência de Bashar al-Assad é “diferente” da Líbia, onde a derrubada do ditador Muamar Kadafi mergulhou o país africano no caos.

— Quando há um líder autoritário matando centenas de milhares, não podemos ficar sem fazer nada. Não pode haver paz na Síria sem um governo reconhecido como legítimo pela maioria. Foi isso que argumentei com meu par russo, Vladimir Putin. Assad simplesmente não pode ficar.

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