Operação investiga fraude milionária em herança familiar no interior de Goiás
Léo Carvalho
Publicado em 17 de abril de 2026 às 11:42 | Atualizado há 2 meses
Operação da Polícia Civil apreendeu documentos e bloqueou bens milionários em investigação sobre herança em Firminópolis | Foto: Divulgação/PCGO
Uma investigação da Polícia Civil de Goiás (PCGO) apura suspeitas de fraude e exploração financeira na administração de uma herança familiar em Firminópolis. O caso envolve a gestão de um patrimônio milionário pertencente a uma idosa, que morreu em 2024.
No centro da apuração está o zootecnista Fabiano Pedrosa Leão, neto da vítima, que teria assumido o controle dos bens ainda em 2009, após a morte do avô. Ao longo dos anos, segundo a polícia, ele passou a conduzir sozinho decisões financeiras e administrativas relacionadas às propriedades e recursos da família.
A suspeita é de que esse controle tenha sido usado para desviar valores. O prejuízo estimado chega a R$ 35 milhões, embora os investigadores não descartem variações nesse montante conforme a análise documental avance.
A investigação ganhou força após questionamentos dentro da própria família. Uma das filhas da idosa levou o caso à Justiça ao identificar possíveis inconsistências na condução do patrimônio e na futura divisão dos bens.
Apuração policial
De acordo com o delegado Alexandre Bruno de Barros, há indícios de que a vítima tinha limitações para gerir a própria vida financeira, o que pode ter facilitado a atuação de terceiros. Documentos reunidos pela polícia indicam que ela dependia de outras pessoas para realizar operações bancárias.
Entre os pontos analisados está a movimentação de valores logo após a morte da idosa. Um dos episódios citados na investigação envolve o saque de cerca de R$ 1,4 milhão poucos dias depois do falecimento. O investigado afirmou que o dinheiro teria sido utilizado para quitar dívidas familiares.
Com a morte da vítima, Fabiano e a mãe passaram a ocupar a função de inventariantes, ficando responsáveis pela organização e divisão do patrimônio. Ambos são investigados no caso.

A apuração também se estende a outras pessoas que possam ter participado da gestão ou da divisão dos bens, incluindo possíveis vínculos com funcionários de instituições bancárias e cartórios.
No início da semana, a Polícia Civil cumpriu medidas judiciais no âmbito da Operação Milionários. Foram apreendidos documentos considerados relevantes para a investigação e determinado o bloqueio de cerca de R$ 30 milhões em bens.
Durante a ação, o principal investigado acabou preso em flagrante por posse ilegal de arma de fogo.
O inquérito está em fase final e deve ser encaminhado à Justiça. A defesa dos investigados não foi localizada até a última atualização, e o espaço permanece aberto para manifestação.