Pais dizem não às ocupações
Redação DM
Publicado em 22 de janeiro de 2016 às 23:34 | Atualizado há 10 anos
Os militantes políticos e sindicais que invadiram cerca de 20 escolas para tentar impedir a gestão compartilhada com Organizações Sociais tiveram uma semana de fragorosas derrotas do movimento. Depois de fracassarem na promoção de duas manifestações contra a Secretaria de Estado da Educação, Cultura e Esporte (Seduce), que coordena o programa, eles também perderam o apoio dos pais de alunos das escolas ocupadas.
Diversos outros fatores estão levando os invasores a cogitar a saída das escolas nos próximos dias. Entre eles estão a saída de estudantes das escolas invadidas, a pressão dos pais e professores pela retomada das aulas nas escolas atingidas pelos protestos e a significativa redução do número de matrículas nas unidades tomadas pelos manifestantes.
Na semana passada, o Tribunal de Justiça já havia determinado a saída dos manifestantes de três escolas invadidas: Professor Robinho, Lyceu de Goiânia e José Carlos de Almeida (esta já desativada por falta de demanda por vagas). O desembargador que proferiu a sentença determinou a cobrança de multa diária de R$ 50 mil dos invasores caso eles não deixem as escolas após 15 dias da notificação.
A semana de volta às aulas na rede estadual de educação está sendo marcada pela indignação dos pais de alunos matriculados nas escolas ocupadas. Nas oito escolas da regional de Anápolis paralisadas por conta do movimento de ocupação, cerca de 6 mil alunos tiveram sua rotina drasticamente modificada.
Na sede da Subsecretaria Regional, a procura diária pelos pais é constante desde a quarta-feira, 20/01, quando teve início o primeiro semestre letivo na rede. “Somente esta semana já recebemos a visita de mais de 150 pais e mães que estão preocupados com essa situação e querem o retorno das aulas o mais rápido possível”, conta a subsecretária Sonja Maria Lacerda.
O casal Cláudio Santana Roriz e Sandra Mendes Ferreira Roriz foi à Subsecretaria procurar informações. Eles têm dois filhos e um deles, de 12 anos, é aluno do Colégio Estadual Polivalente Frei João Batista. Advogado, Cláudio ofereceu seu apoio no sentido de buscar uma saída para o problema. “Posso reunir outros pais para fortalecer esse movimento contra a ocupação. Tenho plena convicção de que 99,9% dos pais querem que as aulas voltem à normalidade. Ninguém quer ver seu filho prejudicado com essas ocupações”, declarou ele.
Seduce prevê calendário de reposição para escolas invadidas
Em visita à Anápolis, o superintendente executivo de Educação da Seduce, Marcos das Neves, comentou que os pais têm duas opções. “Uma é esperar pelo retorno das aulas nas escolas que estão ocupadas. Quando isso acontecer, haverá um calendário de reposição para não ocorrer prejuízos pedagógicos. Outra saída é os pais transferirem seus filhos para escolas mais próximas. Nós disponibilizamos vagas para atender com tranquilidade essa nova demanda”, acrescentou.
Segundo Neves, não é a situação ideal, mas foi a melhor alternativa para resolver essa questão. “Os pais podem ficar tranquilos porque estamos com vagas abertas para atender essa nova demanda que se criou”.
Desocupa Já
Muitos pais decidiram manifestar pessoalmente seu descontentamento na porta das próprias escolas ocupadas. É o caso do Colégio Estadual Hertha Layser, no Jardim Progresso, onde cerca de 800 estudantes do Ensino Fundamental e Médio estão impedidos de assistir aula. Na manhã desta quinta e sexta-feira, 21 e 22/01, diversos estudantes, ao lado de vários pais e mães, fizeram um protesto na porta da instituição.
Barrados do lado de fora e impedidos de entrar no prédio, era visível a irritação da comunidade com o cenário encontrado. “Nós queremos a volta das aulas, pois tem reunião direto com eles [ocupantes], mas não tem acordo. Não acho justo porque estão prejudicando nossos filhos; eles não pertencem a esta escola nem ao bairro”, desabafou Lúcia Moraes, mãe de uma aluna.
“Eles não estão prejudicando só a minha filha; estão prejudicando toda a minha família porque, sem aula, eu não confio de deixar ela sozinha em casa à noite, com minha filha ainda menor. Eu sou técnica de enfermagem e faço plantões, mas esta semana já perdi dois dias de trabalho”, reclamou M. A.P. S (com medo de expor a filha, ela preferiu não se identificar).
Confusão em Aparecida de Goiânia
Em Aparecida de Goiânia, são duas escolas estaduais ocupadas. Ontem pela manhã, na ânsia de ver o cotidiano da escola normalizado, um grupo de pais e alunos esteve na porta do CEPI (Centro de Ensino em Período Integral) Cecília Meirelles para conversar com os manifestantes. Houve um início de tumulto, que resultou na destruição parcial do portão da escola. O CEPI Cecília Meirelles atende os alunos em tempo integral, mas a maior revolta dos pais é que o movimento de ocupação não reúne mais do que quatro pessoas, sendo que a maior parte delas não estuda na escola e muito menos mora na região.
“Temos de ter coragem de mudar a educação”, diz governador
O Brasil só vai avançar, se tivermos coragem de mudar a educação. A avaliação foi feita hoje pelo governador Marconi Perillo, durante assinatura de convênio com Sebrae que prevê a capacitação de 1,4 mil trabalhadores em 93 municípios goianos. “Precisamos ter criatividade e determinação para mudar o País, principalmente em questões como saúde e educação. Mas antes precisamos ter coragem para enfrentar o corporativismo e o sindicalismo inconsequente, que não se preocupa com nosso País”, ressaltou.
Marconi destacou que o crescimento econômico e a melhoria dos indicadores sociais do País só virão com a solução de questões prioritárias e pendentes. “É preciso enfrentar e colocar o dedo na ferida de algumas questões, como a educação. É impressionante o reacionarismo daqueles que estão na contramão para tentar impedir uma boa ideia. Não queremos impor nada. Queremos apenas uma experiência que possa mudar esta educação. Não temos nenhuma universidade brasileira entre as 200 maiores e mais importantes do mundo. É preciso refletir sobre isso”,
O governador condenou a falta de diálogo dos manifestantes contrários à gestão experimental das Organizações Sociais em algumas escolas de Goiás. “O reacionarismo tenta nos impedir, à força inclusive, expulsando a secretária Raquel de um evento para debater um assunto sério como este. Não querem diálogo, não querem avançar. É porque sabem que, o dia que experimentarmos isso, vamos começar a mudar o Brasil. Quando a gente percebe este tipo de mentalidade é que entendemos o porquê do Brasil estar atrasado. Fico indignado com a situação de algumas pessoas tentando empurrar para frente e outras puxando para trás algo que pode fazer a diferença”, frisou.