Cotidiano

Papa condena agravamento da fome mundial na pandemia

Redação DM

Publicado em 16 de junho de 2021 às 13:57 | Atualizado há 5 anos

A pandemia provocada pelo Coronavírus agravou a questão da fome em todo o mundo. No Brasil, aparentemente diferenciado pelas safras recordes de grãos, o problema tem a gravidade demonstrada no meio urbano e rural. O Papa Francisco levantou o quadro em mensagem enviada ao ministro polonês do Clima e Ambiente, Michał Kurtyka, segunda-feira, que presidiu os trabalhos da 42ª sessão da Conferência do Fundo das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), programada em modo virtual até 18 de junho.

Em Goiânia, em reunião de diretoria, a Acieg pediu a atenção da sociedade para o amparo às pessoas carentes. Nos templos religiosos e similares do ponto de vista social, há doações crescentes. Mas, todos sabem que não atende a todos. Há milhões de desempregados ou subempregados com a geladeira vazia, passando necessidades juntos com a família, inclusive crianças.

No Brasil, segundo o Cepea, o bom desempenho da agricultura no primeiro trimestre de 2021 elevou o número da população ocupada no segmento primário (“dentro da porteira”) frente ao mesmo período de 2020.

Inclusive, dentre os quatro segmentos (insumos, primário, agroindústria e agrosserviços), o primário foi o único a apresentar aumento na geração de empregos na comparação entre o primeiro trimestre de 2021 e o mesmo período de 2020, de 4,1%. Segundo pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, da Esalq/USP, o aumento das ocupações se concentrou nas atividades da agricultura, com destaque para a horticultura, cereais, soja e o grupo de “outras lavouras”.

Segundo o Vatican News, porta-voz do Vaticano, a pandemia é a espinha dorsal da reflexão de Francisco. Após décadas de conquistas que infelizmente veem as pessoas não terem “ainda acesso aos alimentos de que necessitam, nem em quantidade nem em qualidade”, e depois que o número de pessoas “em risco de insegurança alimentar aguda” atingiu o máximo em 2020, a crise global desencadeada pela Covid é uma janela de oportunidade para mudar certos modelos.

“Como este quadro pode piorar no futuro para milhões de pessoas”, escreve o Papa, devido, além da Covid, a “conflitos, eventos climáticos extremos e crises econômicas”, eis que “o desenvolvimento de uma economia circular, que garante recursos para todos, incluindo as gerações futuras, e promove o uso de energias renováveis, é vantajoso”.

Sistema alimentar global
Para o Papa a questão principal está em redesenhar “uma economia em escala humana, não apenas sujeita ao lucro, mas ancorada no bem comum, amiga da ética e respeitadora do meio ambiente”. A pandemia deveria ensinar isso: a “inverter a rota seguida até agora”, investindo “num sistema alimentar global capaz de resistir a crises futuras”, afirma.

Segundo o pontífice, isso inclui “a promoção de uma agricultura sustentável e diversificada” que leva em conta “o papel precioso da agricultura familiar e das comunidades rurais”.

Francisco observa que são “exatamente aqueles que produzem alimentos que sofrem com a falta ou escassez de alimentos, aqueles três quartos dos pobres do mundo que dependem principalmente da agricultura para seu sustento que, no entanto, estão isolados dos mercados, da propriedade da terra, dos recursos financeiros, das infra-estruturas e das tecnologias”.

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