Cotidiano

Parabéns, Goiânia Rock City

Redação DM

Publicado em 21 de outubro de 2016 às 01:26 | Atualizado há 2 anos

Aos 83 anos, esta jovem e rebelde cidade, acolhedora e também expansora de vidas, talentos e histórias, é considerada uma das cidades mais importantes do Brasil no contexto da cena rock. Faz tempo que o conceito de que em Goiás só se faz música sertaneja caiu. Quem ainda pensa assim está um tanto ultrapassado. Agora, me digam vocês, já imaginaram Ressonância Mórfica, Desastre, A Mentira Oculta, Baba de Sheeva, todos juntos? Não, não é nenhum festival. É só matéria mesmo, desculpem!

Martim Cererê, Centro Cultural Oscar Niemeyer, Parque Vaca Brava, Beco da Codorna, DCE UFG, inúmeros os lugares e as memórias de quem viveu e vive a verdadeira Goiânia Rock City, sem selo, sem patrão, sem grana, mas com muita sede de liberdade, alimentando o Fantasma do Rock e estimulando várias gerações a sentirem e serem parte da cena. Bandas, público e local massa para tocar é o que nunca faltou nesta cidade. Um salve para a grande Goiânia, mas principalmente aos goianienses de nascença e coração, que trabalham, estudam, tocam, pintam e bordam, em busca de fazer desta cidade o lar de outros mais.

Ressonância Mórfica

Veterana de guerra no underground brasileiro, Ressonância Mórfica surgiu em 1997 em Manaus, com o vocalista Marcos Campos e o guitarrista Luiz Souza, e desde 2001 está radicada em Goiânia. Em 2014 eles lançaram o disco Mapinguari, em parceria com os selos Sangre e TBonTB (Goiás) e Brasil Underground Distro (Amazonas) e vêm trabalhando nisso desde então. E em julho deste ano, Ressonância Mórfica realizou uma tour internacional, levando essa mistura brasileira para países da América do Sul, tendo participado de grandes festivais nos 6 países por onde estiveram, dividindo o palco com NervoChaos (SP) e Gama Bomb (Irlanda).

Recentemente de volta ao lar, Michael Douglas (bateria) e Vanderlei (baixo) passam a integrar a banda, que já está trabalhando no novo trabalho, com lançamento previsto para 2017. A discografia da banda é riquíssima, e a quem interessar, vale a pena ouvir: Ressonância Mórfica–Demo 1 (1997), Ressonância Mórfica–Demo 2 (2002), “…e dilui-se o silêncio em zurzimentos” (Goiânia Noise ao vivo 2003), Agregados Onímodos Malditos (2005), Siege of Grind–a brazilian tribute Napalm Death (2014), Mapinguari (2014), Goiânia Metal Massacre (2015).

A Mentira Oculta

rock (5)

Esta pode ser uma das mais jovens bandas goianas a conquistar o cenário underground da Capital. São apenas três anos de estrada, mas carregando a experiência de vida do vocalista Yuri Kurt, o guitarrista Mayck Vieira, o também guitarrista Henrique Azevedo, a baixista Aline Lopes (a ruiva é a mais nova integrante da banda, tendo sido anunciada em setembro deste ano) e do baterista Ary Drummer, e influenciados pelo Deathcore, Grindcore, Metalcore, Melodic, Death Metal, Horror Punk e Thrash Metal, a banda faz um dos sons mais pesados da atualidade. A Mentira Oculta já se tornou figura carimbada nos principais festivais e eventos underground de Goiânia.

A banda independente também está fazendo sucesso no interior do Estado, como na cidade de Anápolis, que assim como Goiânia, tem uma cena cultural muito forte. A Mentira Oculta vem trabalhando na elaboração do EP “A Criação do Ódio”, pautando principalmente a relação odiosa entre os homens. Não é à toa que a base para uma sonoridade tão agressiva seja a violência e o ódio. O trabalho de A Mentira Oculta pode ser conferida no SoundCloud, e os fãs também podem acompanhar os próximos projetos da banda através da página oficial no Facebook.

 

Desastre

A Desastre já tem 20 anos de carreira, passou por altos e baixos, houve uma época que o vocalista Wiil ficou sozinho nessa empreitada. Mas uma banda com uma trajetória dessas não podia morrer. Este ano, com nova formação, a Desastre retornou após 4 anos fora dos palcos. Com Urbano na bateria, e Paulim na guitarra, o show de retorno da banda, realizado em julho marcou uma nova fase. Desastre é considerada uma das maiores bandas punk de Goiânia e Brasília, tendo sido reconhecida internacionalmente (Europa, Japão, EUA).

O quarteto também já lançou eps nos Estados Unidos (1999), “Mundo Velho” lançado na Suécia, França, Alemanha e República Tcheca. Em 2004, Desastre grava seu primeiro CD, “Pesadelo Real”, que também fora lançado na França. A repercussão do disco foi tamanha que a banda embarca para São Paulo para dois shows de lançamento para o exigente público paulista. Além disso, a banda tem outros 3 cds gravados: Perigo Eminente, Procurando Saída e Mundo Velho.

Baba de Sheeva

Banda estranha, com nome esquisito é o que mais tem nesse Goiás velho. Deve ser culpa do césio. Baba de Sheeva, há oito anos na cena, tem este nome devido à uma lenda hindu sobre o haxixe (se você não conhece, vá perguntar para os seus pais. Me isento de qualquer responsabilidade). Não é mistério para ninguém que, principalmente na cultura oriental, a maconha era usada em ritos religiosos e fins medicinais. Na Índia, o venerado haxixe é tido como um “presente dos deuses”. A lenda remonta um luxuoso jantar preparado por Parvati, esposa de Shiva, uma das principais divindades da trindade hinduísta. Shiva, ao se deparar com as delícias feitas por sua esposa, deixa cair um fio de baba de sua boca, que aguava ansiosamente para degustar o banquete. Diz-se que desta saliva nasceu a tão adorada plantinha.

Mudando um pouquinho de assunto, saindo do universo delicioso das mitologias, vamos direto ao som, digo, ao ponto. O principal desafio de Baba de Sheeva é conseguir “andar em cima do muro” entre o punk e o metal, o hard core e o trash. Para eles, não existem barreiras entre duas vertentes da música suburbana. “Nós tocamos o mais rápido que conseguimos, e falamos em voz daqueles que não conseguem se expressar, pois já estão chapados demais para manifestar alguma ideia. Subversão, inversão de valores, música rápida e sem fé em Deus, sem fé no mundo e sem fé no homem!”, eles dizem.

Baba de Sheeva surgiu em 2008, em 2010 lançaram o compilado “Legalize Crossover”, com sete músicas. O primeiro álbum veio em 2011, com 14 faixas, “É Triste o Destino da Maioria dos Homens”, com grande visibilidade nacional. Com Richard Augusto nos vocais, Fábio Sodré da guitarra, Gabriel Stone no baixo e Urbano Queiroz na bateria, a banda já fez passagem pelos principais festivais da cidade, tal como Goiânia Noise, Vaca Amarela, Covernation. Ah, e pro final deste ano, tem clipe novo chegando!

 

 

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