Peça alemã ironiza integração forçada de refugiados à força de trabalho
Redação DM
Publicado em 15 de dezembro de 2015 às 05:05 | Atualizado há 11 anosSTRALSUND, Alemanha – Uma peça satírica em turnê pela Alemanha tem como missão acabar com a crença de muitos no país de que as centenas de milhares de imigrantes recém-chegados conseguiram uma passagem para o paraíso. Em “Asylant im Wunderland” (“Asilados no País das Maravilhas”), o diretor Heiko Ostendorf mostra que os alemães criaram uma concepção errônea de como os refugiados e imigrantes veem a nova vida.
— O povo pensa que os refugiados que chegam à Alemanha não tinham nada em casa, viviam em camas de ferro e deveriam estar gratos por conseguirem água corrente. É uma ideia patética. Pensar que eles vivem numa terra das maravilhas mesmo quando alguns dormem em barracões, é algo totalmente sem sentido.
Repleta de humor negro, a peça mostra dois funcionários de migração num aeroporto buscando refugiados que possam ajudar a recompor a força de trabalho qualificada do país. Quando encontram a dupla Basima e Berschko, que chama sua atenção por sua capacidade, tentam convencê-los usando rosas, espumante, café e até uma limusine para levá-los a um hotel de luxo.
Apesar dos esforços, a oferta é rejeitada: eles já estavam na Alemanha há algum tempo e suas experiências são bem diferente do que os funcionários prometem. Basima lamenta ter deixado uma vida de conforto no país natal — se refugiando após uma prisão por seu ativismo pró-direitos dos homossexuais — para viver num quarto minúsculo, que ela divide com outras oito pessoas, num abrigo infestado de ratos e baratas.
A personagem é em parte baseada na namorada iraniana do diretor, mas ele também se inspirou nas experiências de refugiados de outros países, como Congo e Sérvia.
— Quero dar voz aos refugiados com quem tive contato, mas também aos que nem falam alemão — disse Ostendorf, criticando a ideia de que os refugiados sejam avaliados pela forma como podem contribuir economicamente.
No fim, funcionários perguntam à plateia quem estudou Direito, Engenharia ou alguma ciência. Uma mulher é deportada por não ter valor como mão de obra.
— É desumano categorizar pessoas que precisam de ajuda como útil ou inútil — afirma Ostendorf.