Pedidos de restrições impulsionam vendas de armas nos EUA
Redação DM
Publicado em 11 de dezembro de 2015 às 05:05 | Atualizado há 11 anosWASHINGTON – Com dezenas de discursos, desde quando era senador, a partir de 2005, e ao longo dos dois mandatos como presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, tornou-se um símbolo nacional da luta pelo controle de armas. Paradoxalmente, nos meses em que foi eleito e reeleito, os americanos registraram recordes de compras de armamento em relação aos últimos 15 anos. A explicação, mais do que o medo de terrorismo e tiroteios em massa, aliado à justificativa da autodefesa, reside no receio de que restrições fossem efetivamente implementadas, segundo o “New York Times”.
Analisando dados federais, observa-se que em setembro de 2001, logo após os atentados do dia 11, houve um pico com 754 mil armas vendidas. Enquanto em novembro de 2008, com a eleição de Obama, registrou-se 1,1 milhão de vendas — um aumento de 46% em relação ao momento pós-ataque às Torres Gêmeas. E o recorde desta década e meia seria batido no final de 2012, com a junção destes dois elementos: no caso, a reeleição de Obama, em novembro, e o tiroteio em massa na escola primária Sandy Hook, em dezembro, em Newtown, Connecticut, um dos mais mortíferos da História dos EUA, com 27 mortos.
Em três anos, 90 mil mortos
Cinco dias após a chacina, Obama discursou pedindo a proibição da venda de fuzis, rifles, pentes e carregadores de alta capacidade. No período do Ano Novo de 2012 para 2013, venderam-se dois milhões de armas no país.
— O presidente Obama tem sido, na verdade, o melhor vendedor de armas de fogo — afirma o analista financeiro Brian W. Ruttenbur. — Seria como se você nunca tivesse tido uma torradeira. Você não quer uma torradeira, mas o governo diz que vai proibir as torradeiras. Então, você sai e compra uma torradeira.
Quando Maryland aprovou uma das mais rigorosas medidas de controle do país, em maio de 2013, as vendas no estado saltaram de 1% para mais de 5% do total nacional, antes do prazo dado até outubro para a proibição de rifles semiautomáticos. De acordo com o professor Jurgen Brauer, da Universidade Georgia Regents, que tem trabalhos sobre o assunto, as vendas no país mais do que dobraram em pouco mais de uma década, de cerca de sete milhões, em 2002, para em torno de 15 milhões, em 2013, um recorde mundial.
Às vésperas do terceiro aniversário do massacre na Sandy Hook, a Newtown Foundation informou que, nestes três anos, mais de 90 mil americanos foram mortos por armas de fogo, numa média de quase um tiroteio em massa por dia.